quinta-feira, 25 de abril de 2013

988 - Soneto afásico

Faltam-me as palavras.

A palavra que eu quero não me vem,
O verso que estava aqui agora, cadê?
Uma rima qualquer, alguém aí me dê,
Qualquer rima, qualquer uma, alguém?

Não ficou uma palavra onde tinha cem,
Versos eram mil, sumiram sem porquê.
Quebro a cabeça e penso em quem lê.
Não lerá. Hoje é vazio o que aqui tem.

O poema não sai e aqui se improvisa,
A palavra faltante e é por essa guisa
Que o soneto se cumpre e se escreve.

Nada do que eu queria dizer eu disse
E concluo que a loucura ou a velhice
Aos poucos chega e me circunscreve.

Francisco Libânio,
25/04/13, 4:26 PM
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