sexta-feira, 5 de agosto de 2011

0125 - Soneto do meu tédio


Brinco com meu tédio, sexta-feira,
Frio no litoral, nada para se fazer,
Sem boca pra beijar nem entreter
O dia fica uma terrível pasmaceira

Meu tédio é cruel e na brincadeira
Que faço com ele, é por prazer
Que me joga o ido como a dizer:
Fui teu amigo pela tua vida inteira

Tem razão esse maldito tédio,
Minha vida foi isso não nego
Tédio no amor, tédio no apego

Tédio na vida, tédio sem remédio
Mas escrever vem como prece
Escrevo e ele, por hora, desaparece.

Francisco Libânio,
05/08/11, 6:29 PM

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Eu estava bebendo em minha rua


Eu estava bebendo em minha rua,
Bêbado, feliz, insano, inconsciente,
Mas com o sorriso que atenua
O mal que a bebida faz à gente

Eu estava mirando alvejar a lua,
Joguei pedras nela repetidamente,
Corri ao alto de uma alta grua
E ainda assim errei-a. Em mente?

Só álcool e uma saudade doída
E um momento dessas na vida
Em que se que quer o impossível

Maldito plano meu infalível
Maldita lua a brilhar ali
Linda como quando te conheci.

Francisco Libânio,
03/08/11, 10:39 PM

terça-feira, 2 de agosto de 2011

01 - 01-08-11 - Não queiras que eu me cale


Não queiras que eu me cale
Quando disser que te amo,
Se não queres que eu fale
Não ouças se eu declamo

Teu nome em meus sonetos,
Teu nome em minhas falas,
Teu nome nos mais completos
Elogios e em todas as galas

Não queiras que eu não diga
O quanto te amo, pois dizer
Deste amor é um maior prazer,

Não me prives do direito de amar
Nem do desse amor expressar
Já que não és sequer uma amiga.

Francisco Libânio,
01/08/11, 9:26 PM

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quero criar uma musa e me inspirar!


Quero criar uma musa e me inspirar!
Como ela é? Não sei. Ainda a invento,
Junto partes num rosto a me agradar,
Junto qualidades para meu contento

O corpo, negro farto, pode agradar,
Mas se for loira e esbelta, o momento
Fará com que eu a ame como amar
E de críticas, estarei totalmente isento

Ou não. Podem achá-la feia demais,
Podem ver nela qualidades divinais,
Deixo minha musa à vista do alheio

E dedico a ela este sonetinho feio
Perfeita que é no que vejo perfeição,
Molde para a futura dona do coração.

Francisco Libânio,
01/08/11, 4:30 PM

sábado, 18 de junho de 2011

Um dia na vida


Um dia na vida, célula única, indivisível,
Junto de outras mais parece um colosso,
Sozinha, perdida, isolada, quase invisível...
Um dia que dos outros, só, abre um fosso

Um dia na vida, sozinho, perde sentido
Já que ignoramos sua herança recebida
E recusamos o legado a ser transmitido
Com custos e taxas para o resto da vida

O preço que se paga dinheiro não avalia
Nem do recebido nem da transmissão,
Um dia na vida é isso, apenas um dia,

Mas o dia de hoje, às portas de um escuro
Túnel tem para si só do ontem a lição
E o que será feito e entregue no futuro.

Francisco Libânio,
18/06/11, 4:17 PM

terça-feira, 14 de junho de 2011

As ruas 05


Depois de dois dias sem escrever, à caneta,
Pus-me a rascunhar alguns vadios versinhos,
Nada espetacular, apenas uns descaminhos
Que em meu poema tem voz boa e completa

Olho minha rua, ela está lá, molhada, quieta,
Nem sabe que eu escrevo. Estamos sozinhos,
Ela lá pavimentada com poças por laguinhos
Onde a passarada, com sede, se locupleta

Eu, aqui, não estou molhado. Estou quieto,
Sei mais da minha rua que ela sabe de mim,
Somos pouco parecidos, mas algo no fim

Nos aproxima. Os passarinhos que, lá fora,
Bebem água dos laguinhos na rua empoçados
Nesses vadios versinhos ficam imortalizados.

Francisco Libânio,
14/06/11, 6:38 PM

sábado, 11 de junho de 2011

Eu já fui feliz, tive meus momentos


Eu já fui feliz, tive meus momentos
De sorriso, de ver um azul na vida,
Já dei sorrisos sem acanhamentos
E tive uma razão para ver colorida

A vida por tintas de sentimentos,
Eu já tive sonhos de casa florida,
Com jardim, esposa e os rebentos,
Enfim, a felicidade já foi vivida,

Já foi desfrutada, mas foi embora
Para não voltar... Talvez... Mas meu agora
Está longíssimo daqueles dias

Querer que eles voltassem? Quero!
Mas é difícil. Nem mais eu os espero,
Desarrumei meu terreno para alegrias.

Francisco Libânio,
11/06/11, 10:23 AM