quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Do 31 de Dezembro



É estranho demais este último dia.
Festeja-se e conta com tal afinco
Seus últimos segundos, mas cadê a alegria
Pra contar os trezentos e sessenta e cinco?

Francisco Libânio,
31/12/09, 6:16 PM

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Soneto boquirroto


Queria poder escrever um soneto boquirroto e estúpido,
Daqueles que distribuem palavrões fartos e gratuitos,
Desses que xingam claro o maior filho da puta fodido
E dos que mandam tomar no cu em altíssimos gritos

Queria escrever como eu falo quando me sinto irritado
Mandando se foder o lazarento que estragou meu dia
Bem como o cretino que só faz merda e já fez errado
Em sair do meio das patas de sua mãe quando nascia

Queria demais escrever um soneto só de impropérios,
Fugir do meu cotidiano de só escrever poemas sérios
E parecer um filme nacional do início dos anos oitenta

Mas pra quê? Nos quartetos se foram alguns palavrões,
Sem sentido, sem contexto só deixando más impressões
Parecendo mais a linguagem que a televisão apresenta.

Francisco Libânio,
30/12/09, 10:40 PM

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

54 - O homem, quando fala de religião, mente


Extraído de http://1.bp.blogspot.com/_5EQSHGNeHSs/ShgqWlBoZtI/AAAAAAAAA7I/Lhk2qlPNToQ/s400/mutid%C3%B5es+7.jpg


O homem, quando fala de religião, mente
Porque para ele mais vale valorar sua crença,
A única que salva, a única que compensa,
Enquanto as outras ele diminui, simplesmente

E fica-se naquele discurso tão vão como crente
De prosopopéia eufórica, mas pouco densa.
Quanto a mim, a fé é íntima e de desavença
Livre. Creiamos, apenas isso e é o suficiente

Falo disso porque há um pastor na esquina
A atrair mais e mais fiéis para seu rebanho
Usando mais fala e menos fé em seu colóquio

Eu o escuto daqui. Ele fala, fala e não termina,
E para engrandecer o que crê é sem tamanho
Sua mentira que ainda o gritarei como Pinóquio.

Francisco Libânio,
27/08/09, 1:43 PM

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Dos Presentes


Extraído de http://www.marieclaire.com/cm/marieclaire/images/2r/gift-guide-marie-claire-300.jpg

Cada caixa, um desejo tão esperado
Com a intenção de fazer bem
E com ele, um vale já marcado
Para outra caixa no ano que vem

Francisco Libânio,
24/12/09, 10:21 AM

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Cotidiano


Extraído de http://3.bp.blogspot.com/_sytYc3mRnfA/SoAgywaxphI/AAAAAAAABa4/OXXLBu0mFr4/s400/mulher+e+sol.jpg

E todos os dias, quando me deixas
Após nosso amor, penso ser o entardecer
Mas como se o sol se ergue no céu?
Passo o resto do dia anoitecido às queixas
Contra tudo o que me fez te perder
Até que alvoreça a noite e me tenhas só teu

Terrível é o cotidiano enquanto te amo
E faço de ti meu sol que faz viver e sorrir mais,
Pois se não te tenho comigo reclamo
Do sol e do dia querendo fusos horários iguais

Francisco Libânio,
23/12/09, 2:55 PM

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Maria Baiana



Maria Baiana, de pele trigueira,
De rosto torrado de sol do sertão
E mãos calejadas na lida da vida
Ainda é bonita, ainda é faceira
Quando descansa do seu facão,
Quando faz a filha nova dormida
E o filho mais velho ganha cheiro,
Ela se deita com o marido cansado
Escuta o lamento do ganho atrasado,
Da vida difícil e do pouco dinheiro
E então beija o homem com ternura
Dias melhores virão, ela tem certeza,
E o aconselha a aproveitar da noite a leveza
Para compensar o dia e sua mão dura.

Francisco Libânio,
22/12/09, 9:35 PM

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

52 - E se eu, oh declarada criança,


Extraído de http://s3.images.com/huge.2.14458.JPG


E se eu, oh declarada criança,
Ao invés de te ninar fosse ninado,
Em teu colo fosse encaixado
Ouvindo um acalanto em voz mansa?

E se desse colo se fizesse dança
Pondo-te depois com tal cuidado
Em meus braços e, assim trocado,
Deixasse-te menina na confiança

Dos meus beijos para aí entregá-los
Aos zelos dos teus mimos e teus regalos
Trocando-nos os colos até que desande

As vezes e de trocá-los já cansados,
Mudássemos o jogo ou nós, deitados,
Víssemos o bom de ser criança grande

Francisco Libânio,
21/08/09, 10:51 PM

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Das Miragens



Se vês sem haver algo que queiras,
Nem por isso ele não existe
Tua mente tanto quer e tanto insiste
Que as ilusões terminam verdadeiras

Francisco Libânio,
17/12/09, 17:12/09

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Instiga tua alma apaixonada a um amor


Extraído de http://1.bp.blogspot.com/_Jt4tWllKFZ0/Sntg-8C8z6I/AAAAAAAAFfg/b87bOqdvRhs/s400/os_amantes_07.jpg

Instiga tua alma apaixonada a um amor,
Explica a ela que ele não é o da novela
Não é o do filme, que ele é a mais bela
Interpretação que não a faria algum ator

Exorta-a a amar que a ela ele se revela,
Não o sentimento vazio, mas o melhor,
Não olhando o externo, mas o interior
Em contemplação enquanto outra paralela

Cuida só da alma, pois se alma apaixonada
É esta, outra haverá de ser por ela amada
E além do interior está o que ela procura

Incita tua a alma a se depurar na formosura
Das outras e tomar delas exemplos ideais
E encontre seu par amando-o mais e mais.

Francisco Libânio,
16/12/09, 9:06 PM

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Fenomenais


Extraído de http://1.bp.blogspot.com/__j2tT8agaes/SXn4cBbh-EI/AAAAAAAAAMc/490EOdrLQN4/s400/rosa+vermelha+neve.jpg


Ela nevou todas as relações
Em que havia um calor intenso
De corpos e o céu propenso
Ao amor sofreu graves variações

Então ela choveu e se fez tempestade
E diluviou afogando o que era esperança.
Eu que via ditado cria na bonança
Vi que nele nada havia de verdade.

Tanta chuva era águas passadas de volta,
Trovões a eletrocutar e ela fez surgir
Um sol radiante noutra terra, noutra ilha

Em que sua luz quente faz escolta
Enquanto, em escombros, espero vir
Um sol que há muito aqui não brilha.

Francisco Libânio,
25/08/09, 12:45 AM

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Epitáfio de Alonso Quijano


Extraído de http://jamillan.com/portquid.jpg

Aqui jaz são o virtuoso
E louco em vida cavaleiro
Que amou a dama del Toboso
Sem ver seu rosto verdadeiro.

Francisco Libânio,
11/12/09, 11:17 PM

sábado, 12 de dezembro de 2009

Soneto da Maldade


Extraído de http://4.bp.blogspot.com/_zL3m2i3HEgk/SLd1lxCLioI/AAAAAAAAAEo/NnQGmoiLj80/s400/olhos.JPG

Ela é quem abastece os peitos dos elementos
A quem pouco ou nada custa a desventura
Alheia desde que seja só deles a brancura
Dos sucessos e cantá-los aos quatro ventos

É ela quem provoca o pior rebaixamento,
Aquele que ajusta os outros iguais a mais pura
Condição de coisa ou rival e conjectura
Contra eles para superá-los o mais odiento

Ardil. É ela, a quem estes chamam chance
E os outros chamam maldade, a pior doença
Que leva o doente à mais vil performance

Filha legítima do egoísmo com a inveja,
Mãe de várias vendetas e da desavença,
Ela contamina de si a boca que lhe beija.

Francisco Libânio,
12/12/09, 11:26 AM

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Dia de jogo

Dia de jogo do Brasil na Copa. A partida, por questões de fuso horário, vai ser às quatro horas da tarde aqui. E isso dá o direito a diversas repartições, sejam elas públicas ou privadas, comerciais ou governamentais, de encerrar o expediente mais cedo. Às três. E contra patrão não se põe questão. Ainda mais quando envolve colher de chá. Aí nosso amigo sai do trabalho e vai tomar o ônibus pra gozar do dever cívico quadrienal de se torcer pela seleção. Só que ele não era lá muito fã do esporte bretão. Não tinha time, não se interessava. Pra ele, o Raí ainda jogava no São Paulo e gente como Kaká e Ronaldo ele só sabia quem era porque as notícias importantes eram intercaladas pelas novidades da Seleção. Chega ao ponto enquanto via lojas fechando e todo mundo indo pras suas casas e ele resolveu curtir uma pouco mais sua folga. O problema foi que ele estendeu e ao olhar no relógio já eram quatro e meia. Não tinha ninguém nas ruas. Fácil saber se o Brasil fez gol, bastava ouvir os rojões. Aí, ele foi pro seu ponto. Só um outro cidadão esperava o ônibus. Puxou conversa:

- Perdeu o começo do jogo?

- Perdi, mas deixa pra lá. Era contra quem?

- Não faço a menor ideia.

- Tudo bem. Futebol só me vale a final mesmo. E ainda assim... Só se não tiver coisa melhor pra fazer.

- Eu também não sou fã, não. Não tenho paciência.

- Eu também não. Futebol deixou de ser entretenimento. Virou negócio. E dos bons, que movimentam uma baba!

- Mas não é? Esses caras ganham demais pra ficar chutando uma bola e tomando canelada, onde já se viu?

- Absurdo!

- Pois é. O que o Kaká ganha por mês no time dele lá fora, eu sustento a minha família até chegarem os meus netos, que ainda estão longe de virem.

- Você tem filhos?

- Um pequeno, seis anos ainda. Deu pra ser corintiano só porque o Ronaldo joga no time. É fã dele. Sempre quer que eu leve ao estádio. Deixo pro tio, que adora essas coisas. Eu quero meu domingo pra descansar, sair com a esposa. Nada de futebol. E o senhor?

- Eu tenho quatro. Tudo mais crescido. Uma briga em casa. Dois corintianos, dois são-paulinos. Dia de jogo a coisa é feia com aquela cambada.

- O senhor vê? O povo babando o ovo dessa gente e eles nem aí pra gente. E quando vão pedir atenção, autógrafo, tocam os seguranças em cima dos fãs.

- O que eles queriam, eles já conseguiram. Agora que se dane.

Calaram-se. O ônibus não chegava. Será que até as empresas de ônibus deram folga temporária pros seus choferes? Nosso amigo dava tudo por um banho fresco, um prato quente e uma poltrona. O outro estava com o olhar perdido no mundo. Nosso amigo puxou papo de novo.

- Acho que ninguém fez gol ainda. Não ouvi rojão estourando.

- Deve ser. Casa de fogos ganha uma baba em tempo de Copa. Cachorro é que não gosta. Lá onde eu moro, quando solta rojão, a cachorrada faz um barulho que vou te contar.

- Onde o senhor mora?

O outro se calou. Era discrepante as duas figuras. Nosso amigo todo arrumado e com roupas bem gastas. Talvez não quisesse falar onde morasse por vergonha de ser pobre. Coisa boba. Mas, com o assunto interrompido, o que estava no ponto retomou a conversa:

- Você trabalha onde?

- Sou funcionário público do governo do Estado. Trabalho num prédio virando a rua que cruza essa. Não é longe daqui.

- Sei qual é.

- E o senhor, trabalha em quê?

- Olha, eu trabalhava como auxiliar de limpeza numa empresa lá no Brás, mas aí teve corte de gente, fui mandado embora. Fiquei desempregado por um ano e virei assaltante. Agora me passa o relógio e a carteira que meu ônibus tá chegando e talvez dê tempo de eu pegar a metade do segundo tempo. Vai logo, playboy!


Francisco Libânio!

10/11/09, 5:05 PM



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Das carpideiras


Extraído de http://4.bp.blogspot.com/_AIf5O_sWNik/SufLgcDFSMI/AAAAAAAAAuE/Y-5u0qtiqtk/s400/graciela+carpideiras+mexico.jpg

Se a custo choram estas donzelas
Sem conhecer o morto, tão artificial,
Receberá com justos juros no funeral
Quem for prantear as mortes delas?

Francisco Libânio,
05/12/09, 11:54 AM

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A falsa mulher


Extraído de http://colunistas.ig.com.br/obutecodanet/files/2009/06/namor.jpg

Meu Deus, protege-me da falsa mulher
De beleza estonteante e alma suja,
De cabelos tão macios, mas flores em pântano,
De olhar penetrante, mas de Medusa,
De aparência e de boa cepa, mas só engano.

Por ela, quantos homens pediram o fim,
Quantos empenharam bens de família,
Quantos foram réus condenados,
Quantos se desviaram da trilha
Do bem para se acabarem danados!

Maldita seja a falsa mulher! Maldita
Que não quer ser mãe por ser linda,
Do amor e do homem só toma o que precisa
E agora, travestida de moça distinta,
Bate à minha porta e me hipnotiza.

Francisco Libânio,
21/08/09, 12:31 AM

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A mulher passante


Extraído de http://www.danheller.com/images/Europe/Hungary/Budapest/People/Women/woman-walking-by-bus-bw-1-big.jpg


Vem a mulher passante. Ela me desconhece.
Também eu nunca a vi em minha vida
Nem em outras e ainda que eu a tivesse
Visto, ela me é nova e, agora, a melhor pedida

Para preencher esta hora. Vai despercebida
Do poeta que a observa. Ela nem se envaidece
Nem se irrita nem nada por ser assim seguida
Por meu olhar. Logo, logo, ela se desaparece

Assim como veio. Deixou apenas sua presença
E aquele conhecimento de um breve instante
Sem se apresentar o nome, mas foi tão intensa

Tal aparição em minha vida fazendo completo
Meu momento e sendo breve acompanhante
Sem saber e se eternizando neste meu soneto.

Francisco Libânio,
21/08/09, 11:01 PM

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Nomes e ofícios

Negócio interessante esse dos sobrenomes, que oficialmente são conhecidos por nomes. Conta-se que eles não existiam na Antiguidade. As pessoas tinham apenas o nome e, para designar a família ou a origem, associava-se à pessoa ou o local onde ela nasceu (daí vários sobrenomes com a partícula “de”) ou o local onde vivia (o que resulta os vários Costa, Ribeiro, Silva – que vem de selva – dentre outros) ou, ainda, a profissão do sujeito, um bom exemplo disso é o Ferreira, que vem de ferreiro, que no inglês vem de Smith, o Silva deles de tão comum que é por aqueles lados. Por exemplo, o heptacampeão de Fórmula Um, Michael Schumacher, traz consigo uma corruptela do inglês shoe maker, sapateiro. E por aí vai.

O legal é que hoje, ainda, vários sobrenomes poderiam casar muito bem com a profissão do seu detentor. Pense só como podem ser prósperos os pomares da sociedade Pereira & Nogueira, cujos sócios nasceram pra tal feitio. E que juiz sensacional seria aquele que tem por sobrenome Justo. Advogados com tino marqueteiro poderiam explorar genialmente esse acaso familiar. Um marinheiro da família Marinho, ou mesmo Lemos, com a devida adaptação, poderia ser contratado por qualquer navio mercante de qualquer nacionalidade. Não haveria numerologia mais eficiente. O senhor Leite seria dono da Batavo ou da Parmalat e teria sucesso. Por fim, a família Casagrande, além de um craque no futebol, teria arquitetos mundialmente conhecidos.

Claro que os sobrenomes, dependendo da combinação, poderiam ser o jazigo moral e social de alguém. E a criatividade do brasileiro ajuda pra isso. Pense o incômodo que sofreria o jovem Rolando Rocha na hora da chamada? Outro nome, cujo sobrenome bem encaixado pode gerar problemas é Armando. E para os maliciosos de plantão quão não devem ser divertidos os Pintos, Regos e Costas da vida.

O mau sobrenome na profissão também pode acontecer. É o caso do dr. Roberto Durão, que, apesar do sobrenome, teve cacife e competência pra se formar em medicina e ser ginecologista. Seu nome estampado na fachada do consultório era um tanto incômodo, mas, se a má associação não matou o dr. Durão de fome, reduziu bem sua clientela. Mulheres mais pudicas e conservadoras não iam se tratar com ele, pois achavam que tudo não passava de uma piada de mau gosto. As que tomavam coragem de vencer os preconceitos e os fantasmas das gracinhas posteriores eram obstadas pelos maridos ciumentos que preferiam ter uma úlcera a ver suas esposas sendo tratadas por um Durão da vida. Assim, as pacientes do dr. Durão eram mulheres solteiras, sem preconceitos, de cabeça aberta e as casadas cujos maridos eram dobrados por elas, pois conheciam de antanho a competência do seu ginecologista. E, sem qualquer maldade, segunda intenção ou linguagem figurada, não trocavam o Durão delas por nenhum outro. Pior que a cabeça pequena das pacientes em potencial perdidas, era a gozação dos colegas. Toda reunião na Casa do Médico, o dr. Durão era alvo de chacota. Os novatos recém saídos da residência faziam questão de conhecê-lo pessoalmente, achavam que era gozação. E ele não estava nem aí. Essa fama de durão nem lhe mordia os pés. Era orgulhoso do seu sobrenome e o foi até o dia em que resolveu abandonar o sacerdócio da saúde feminina. Outra festa na Casa do Médico e depois dos brindes de despedida, do discurso (que a cada vez que se citava o nome do homenageado, um risinho ecoava no salão), seus amigos mais próximos foram ter com ele:

- Roberto (os amigos não lhe chamavam de Durão por nada), depois de quarenta anos clinicando, mesmo não tendo tantas clientes, você nunca se deixou levar pela gozação. Todos os encontros, simpósios você era o alvo e você nunca se abalou, como conseguiu isso?

- Não deixo me atingir. Durão é meu nome, trago comigo a marca da família portuguesa da qual descendo. Fui um ótimo ginecologista, minhas pacientes, mesmo sendo poucas, nunca tiveram uma reclamação de mim. Poderia ser pior. Eu podia ser proctologista e, aí sim, morrer de fome. Ou algum de vocês deixaria o Durão fazer o exame de próstata?

Os amigos, mesmo médicos cultos e conscientes da importância de tal exame não responderam. Essa era uma hipótese deveras constrangedora.


Francisco Libânio,

06/11/09, 9:41 AM



quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Da Terra Natal


Extraído de http://www.criancaenatureza.pt/xFiles/scContentDeployer_pt/images/image157.gif

Não adianta. Mais que nunca se queira,
Mais que se negue, traz-se consigo
Um pouco do torrão em terra estrangeira,
Pois lá está parte do nosso umbigo.

Francisco Libânio,
21/08/09, 8:36 AM

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Hai-kais de dezembro


Extraído de http://2.bp.blogspot.com/_Fn9Waw_iN2M/STw8qhqdCII/AAAAAAAAPlE/FXV-VL59L_s/s400/dezembro+08+002.jpg

I


É dezembro, aguarda,
Que o ano começado ontem
Em acabar não tarda.

II

O que fazer nesses trinta dias
Antes do ano novo?
Enterrá-los com honrarias.

III

Não te assustes se, repentino,
Vierem-te com pechinchas.
É só o espírito natalino.

IV

Então é essa a graça do ano inteiro?
Ficar tantos dias vivendo
Até nos vir outro janeiro?

Francisco Libânio,
01/12/09, 7:17 PM

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Auto Oração


Extraído de http://casapoderosos.net/eueeu/wp-content/uploads/2009/08/arrependimento.jpg


Não há mal no mundo. O mal é meu.
Não há diabo que atente. Eu procuro
A tentação. Sei que ela está no escuro
Dos fracos, mas quem a buscou fui eu

E então pequei. Fui fraco e aconteceu,
Fraquejei e fiz mandar-me ao monturo
Agora é pedir forças e por fora o impuro
E o impulso de ir até ele que me venceu

A força está na fé no que se acredita,
Mas de nada adianta acreditar somente
Sem impor a si próprio sua regra dita

Peça ao da sua fé. Peça que ele escuta,
Porém antes que teu mal te apresente,
Vence-o lutando, mas é só tua esta luta.

Francisco Libânio,
15/08/09, 2:53 AM