quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Soneto boquirroto


Queria poder escrever um soneto boquirroto e estúpido,
Daqueles que distribuem palavrões fartos e gratuitos,
Desses que xingam claro o maior filho da puta fodido
E dos que mandam tomar no cu em altíssimos gritos

Queria escrever como eu falo quando me sinto irritado
Mandando se foder o lazarento que estragou meu dia
Bem como o cretino que só faz merda e já fez errado
Em sair do meio das patas de sua mãe quando nascia

Queria demais escrever um soneto só de impropérios,
Fugir do meu cotidiano de só escrever poemas sérios
E parecer um filme nacional do início dos anos oitenta

Mas pra quê? Nos quartetos se foram alguns palavrões,
Sem sentido, sem contexto só deixando más impressões
Parecendo mais a linguagem que a televisão apresenta.

Francisco Libânio,
30/12/09, 10:40 PM
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