quarta-feira, 30 de junho de 2010

Soneto que não ama mais


Eu já não amo mais. O que havia de amor
Cessou. Acabou. Este amor não mais existe,
Não mais sente, não tem forma nem cor
E apesar disso tudo, não estou nada triste

Não estou sentido, não é ruim. O contrário,
Aliás, nunca me senti tão bem em minha vida!
Este amor que existia fazia-me perdulário
Ao escrever e fazia a mulher amada dividida

Todos viam, achavam lindo: Oh, o apaixonado!
(Quase como pena!) Decidi, pois, está acabado!
Não mais sinto amor. Nem o novo nem o antigo!

Agora trago apenas tu, que ao amor extravasa,
Tão perfeita que não só amo. Amor é coisa rasa
E o que sinto é maior e não há definição comigo.

Francisco Libânio,
30/06/10, 6:33 PM

terça-feira, 29 de junho de 2010

Tudo que eu queria ser


Tudo que eu deveria ser, eu procuro
Esmerar-me. Tenho cá as qualidades
Minhas, as quais com esmero depuro
Procurando afastá-las das vaidades

O que me é defeito, com dificuldades,
Procuro estudar e encarar com tal apuro
Que, irado, ele se vinga nas adversidades,
Para que eu me envergonhe no futuro

Porque defeito nenhum aceita ser vencido
Nem corrigido, mas ter para si o comando,
Mas não terá enquanto eu estiver lúcido

Mas o que os outros tem de bom e eu vejo
Tantas coisas boa sem eu ter. É quando,
Por feio que seja, eu abertamente os invejo.

Francisco Libânio,
29/06/10, 9:42 PM

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Soneto para esperar


Eu sei que virás. Qual será a demora
É apenas questão menor a se resolver.
Se eu pensar nisso pode acontecer
De chegares sem ser vista e ires embora

As questões de quem espera estão fora
Do que deve esperar. Irás aparecer?
Quando? Quem espera tudo o que quer
É que a espera acabe e chegue o agora,

Mas nem todo agora necessita ser urgente,
Ser um já, ser instantâneo, ele precisa
Apenas acontecer, mas acontecer na hora certa,

Então escrevo quando tua porta me desperta,
Acaba a espera, que no fim foi bem concisa,
Para vir nosso agora que desejo durar eternamente.

Francisco Libânio,
27/06/10, 7:46 PM

Extraído de http://janeladecima.files.wordpress.com/2009/09/espera-752420.jpg

sábado, 26 de junho de 2010

Viúva


Minha alma andava por aí viúva. Seu par
Era um amor que ela cria ter encontrado
E morreu sem deixar satisfação ou legado
Restando apenas a saudade e um lugar

Vazio. Em vão, ela buscou um namorado,
Por necessidade, ela tentou se casar,
Por desespero, ela chorou mais que o mar,
Por loucura, ela se recusou ter enviuvado

E no auge dessa sua mórbida viuvez,
Apareceu certa companhia, só companhia
Num primeiro momento, apenas cortês

Mas o tempo passou e tal companheira
Fez minha alma viver o que não mais vivia
Apartando-se dela só na hora derradeira.

Francisco Libânio,
26/06/10, 12:27 AM

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Verbo Futuro


Escrevo nossa história de amor idealizada
Num tempo em que predomina o futuro
Eu te amarei, tu me amarás, tudo conjecturo
Para um porvir que imagino demorar nada

E não quero saber entre nós há um muro
A separar. Escrevo nossa história apaixonada
Atribuindo a cada verbo uma boa traulitada
Nele e cada hipótese faz uma luz no escuro

Que é esse dia em que não haverá nenhum
Muro, nenhuma treva, apenas luzes e certezas
De que o que se escreveu era clara verdade

Assim, em cada verbo futuro há mais vontade,
Há mais segurança de escapar essa história ilesa
De verbos futuros que farão de dois apenas um.

Francisco Libânio,
23/06/10, 6:36 PM


Foto extraída de http://tudoroger.files.wordpress.com/2009/09/mao-escrevendo1.jpg

terça-feira, 22 de junho de 2010

Soento de espera


Enquanto te aguardo descer dos meus sonhos,
Vou te amando em todos os nossos planos,
Em tudo aquilo que falamos os dois risonhos
Ao imaginar em horas todos os nossos anos

E nos vejo a rir em dias alegres e nos tristonhos
Tua mão e a minha a consolar. Tão levianos
Esses pensamentos que parecem medonhos
Os nossos agoras quando baixam os panos

Nós dois, pela infinidade, quedamos separados,
Amando, claro, não haveria como não se amar,
Mas por conta deste amor este terrível fardo

Não há de ser nada. Logo estaremos abraçados,
Dividindo este amor no mesmo tempo e lugar
E feliz, mas enquanto isso, resta o aguardo.

Francisco Libânio,
19/06/10, 9:25 PM


Figura extraída de http://tapetedepenelope.files.wordpress.com/2009/09/espera.jpg

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Soneto da falta


Ah, se estivesses aqui não importaria o mundo,
O tempo pararia e tudo o que fosse importante
Viraria detalhe, a eternidade seria só o segundo
E, mesmo sendo eternidade, não seria o bastante

Se a tua companhia fizesse presença, o instante
Nosso seria o mais maravilhoso e o mais fecundo
Eu seria teu amigo, teu parceiro e seria teu amante
Vivendo cada minutinho nosso intenso e fundo

Se fôssemos nós outra vez, a última de preferência
(Para nunca mais sermos um e outro separados),
Tempo, mundo e tudo poderiam deixar de existir

Pois qualquer cataclismo não seria capaz de destruir
Mais a humanidade do que esses dias passados
Longe de ti que me torturam usando tua ausência.

Francisco Libânio,
21/06/10, 4:26 PM


Extraído de http://3.bp.blogspot.com/_OvGNj7Nf0c4/SLbG7_a_qcI/AAAAAAAAA30/QOhmYbbWc6M/s400/Ausencia+profunda.jpg

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Marido


Amou daquela vez como se fosse a última, beijou sua mulher como se fosse a única. Poderia ser o começo de uma letra do Chico Buarque, mas era apenas o começo do dia daquele simpático casal. Namorar logo de manhã estava fora de cogitação. O filho já acordara pra ir à escola e poderia ouvir e perguntar. Crianças de oito anos são curiosas por natureza.

Passou a manhã sem namorar e com o café no estômago. Chegar ao trabalho foi um caos ora pelo carro que custou a pegar, ora pelo trânsito que não fluía e depois porque estacionar foi uma luta. O workday também não foi dos melhores. Só bucha na vida daquele pobre empregado. O dia passou correndo que quando ele pensou em almoçar o sol já estava se pondo. Era hora de voltar pra casa.

Em casa, as coisas poderiam ser melhores. À noite, o filho estaria na casa dos amigos e o casal podia se entregar às intimidades. Era um remédio básico pra desestressar. Não importa os dez andares que teria que subir a pé porque o elevador quebrou. Uma massagem ia resolver isso. E da massagem para o do it era um pulo. Abriu a porta do apartamento e ia fazer uma surpresa para a mulher. Ela deveria estar tomando banho. Não estava. Viu um recado dizendo que encontrou o homem da sua vida no supermercado e foi viver com ele. Ela sempre foi assim, intempestiva que ele não sabe como viveram nove anos juntos.

Isso tudo só atenuou a gravidade do crime. O corpo da esposa jazia, o marido, escoltado por dois policiais terminou sua fala e o delegado concluiu ser um crime passional. Se a pena seria abrandada ou não só o júri poderá dizer.

Francisco Libânio,

03/02/10. 11:11 AM


quinta-feira, 17 de junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Este sorriso


Este sorriso silencioso
É um mistério a decifrar
Tem uma quietude sonora,
Tem uma graça a contagiar,
Tem um convite amoroso
Que é difícil de não reparar

E eu escrevo nesse curtinho
Poema, breve como teu sorriso,
Simples, encantador e preciso
Um outro sorriso em carinho.

Francisco Libânio,
16/06/10, 12:41 PM

segunda-feira, 14 de junho de 2010

As agruras do Amor


As agruras do Amor (quando há amor),
Distância, dias ruins, dissidências
Políticas, pessoais, afetivas e sentimentais
Quando parecem desaguar no desamor
É que devem ser olhadas ainda mais
E ter de todos as sinceras preferências
Porque é nessa hora que o bem maior,
O Amor, exige dos amantes cuidados tais
Que não os conhecem a Fé nem as ciências
E aí, olhadas as agruras, procura-se sanar a dor,
Fechar as feridas com os mais íntimos rituais
Da conversa, do silêncio extraído das vivências
A dois, pois não há quem conheça melhor
O outro coração que, curado, é capaz
De curar o outro e fazer das agruras do Amor
A mais negativa, mas a mais batida das experiências.

Francisco Libânio,
14/06/10, 8:21 PM


Extraído de http://3.bp.blogspot.com/_tCrgbmJSKaY/SSBJgB0wVGI/AAAAAAAACE8/dnVf48dtr0o/s400/um+grande+amor.jpg

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Deixa e dá-me


Deixa-me fazer dormir a sonhadora
Vontade de te amar em teu peito
E dá-me em troca este tão perfeito
Amor casto que nele tanto aflora

Deixa que eu cultive com dom e jeito
O pouco de bem que não joguei fora
E dá-me o mel que me rega toda hora
Desta boca num beijo bem e bem feito

Deixa-me conhecer com minhas mãos
Teu corpo, teu rosto e todos os segredos
E dá-me o prazer de curar meus medos

Deixa-me transformar em sins os nãos
Que me deste quando triste e aborrecida
E dá-me a graça de ser minha por toda a vida.

Francisco Libânio,
10/06/10, 11:24 PM

terça-feira, 8 de junho de 2010

Expectativa


Não me corrompa, Expectativa, inimiga
Das minhas melhores horas e fomentadora
Dos meus maiores desejos. Não agora
E menos no momento em que eu consiga

Tomar tudo o que me prometeste outrora.
Deixe que o Vindouro venha calmo e me diga
Tudo o que era previsto e ofereça a mão amiga,
Mas não faças nada. Peço-te para ir embora

Porque tua companhia menos ajuda que assusta
E sei que a quem me prometeste o quanto custa
Tua palavra dúbia em assombrosas previsões

E quando chegar nosso instante mais esperado,
Peço-te, saia de nós e receba um muito obrigado
Por ajudar mesmo interpondo-se entre os corações.

Francisco Libânio,
08/06/10, 11:42 PM


Foto extraída de http://mentedespenteada2.blogs.sapo.pt/arquivo/expectativa.jpg

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O que há de mais bonito em tua figura


O que há de mais bonito em tua figura
Transcende a mulher nua que ofereces
Pontualmente iluminada na sala escura
Realçando os belos contornos desses

Dotes que a natureza te deu em ventura
E em inspiração e a qual presto preces
Diante de tão formosíssima escultura
Grega que é com o que mais te pareces,

Mas não está neste nu a tua melhor beleza
Nem em nada que realces para aperfeiçoar-te
Ou em nada que eu toque ou que eu veja

O mais bonito de ti está nesta tua singeleza
De fazer do amor e mais cara e refinada arte
Dando-me teu melhor pela boca que me beija.

Francisco Libânio,
04/06/10, 6:55 PM

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A terceira pessoa


Todo dia eu a queria de um jeito diferente
Como se em cada diferença ela não fosse,
Mas fosse outra, ora mais austera ora doce
E ela deixava de sê-la e havia entre a gente

Uma terceira pessoa a temperar nosso amor
Terceira pessoa sem segunda já que não era
A minha que estava lá, e, sim, uma quimera
A cada vez que amávamos vivendo em ardor

A fantasia, a terceira pessoa sempre interpretada,
Até que a segunda pessoa, a mulher amada,
Cansou de estar em três sem que ela existisse

E se foi para sempre. Pobre de mim em tal tolice
De ter sempre outra perdi a mulher que eu tinha
Enquanto amava outras ao tempo que fazia a minha.

Francisco Libânio,
04/06/10, 11:55 PM


Extraído de http://obed.zip.net/images/desespero2.jpg

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Felicidade


Buscar a felicidade é uma tarefa inglória,
Talvez a mais complicada de todas,
Afinal... Fala-se delas a toda hora
(Até eu mesmo dei para falar dela agora),
Ela é assunto de todas as rodas
E é o escopo final de quase toda história

Mas e nós com ela ali no dia a dia,
Na lida diária cada dia mais avessa
Ao propósito de apresentar a felicidade?
Como trazê-la ao mundo de verdade?
Como dizer ao mundo que nos estressa
Que a felicidade é tangível sem que ele ria?

Ora, como pode ser tangível algo que não se vê?
Pergunta o mundo enquanto fabrica
Felicidades artificiais e inúteis artifícios
Que prometem e garantem felicidade em interstícios
Diminutos, quase sempre pra gente rica
Que compra tudo isso e nisso tudo crê

Pior que essas felicidadezinhas artificiais
Convencem também quem não pode tê-las.
Resultado: Quem não pode ter ou entristece
E sonha em ter e talvez ser feliz ou esquece
Da correição e passa a tentar obtê-las
De formas heterodoxas, quase sempre ilegais

E aí quem trespassa o correto deixa triste
Quem era feliz, mesmo que artificialmente,
E acha que está feliz, mas não está. Azar,
Ninguém mandou tanto seduzir e provocar
E a felicidade, essa que quem diz ser mente,
Troca de mãos um sentimento que não existe

Enquanto isso, ninguém conta o óbvio segredo,
Que só é secreto pra quem não acredita
Fica lá bruta louquinha pra ser conquistada
Mas lutar por ela numa labuta longa e sagrada
Ninguém quer. Isso exigiria demorada visita
Ao nosso íntimo e isso nos dá muito medo.

Francisco Libânio,
28/05/10, 8:57 PM

Foto extraída de http://www.ciganaluna.com.br/images/felicidade.jpg

terça-feira, 1 de junho de 2010

A mulher que Deus me mandar


A mulher que Deus me mandar será meu melhor presente
E minha maior bênção mesmo que haja muita demora,
Pois se sabe que bons presentes não são feitos na hora
Nem grandes bênçãos são dadas assim de repente

A mulher que Deus me mandar, aceitarei prontamente
E sem reclamações. Tomarei esta mulher por senhora,
Serei fiel a ela, jurarei amor eterno e devoção redentora
Vencendo juntos os contratempos, seguindo em frente

Até o dia em que Deus tomar-me dela ou tomá-la de mim
Para que fiquemos ao seu lado velando ao outro na Terra
No Firmamento que a toda vida observa e depois encerra

Que esta mulher que Deus me enviar seja a que agora amo,
E será, pois, em Sua bondade, ouvirá o que eu conclamo
E rezo a Deus que seja ela e que seja tudo como peço assim.

Francisco Libânio,
01/06/10, 11:10 AM


Figura extraída de http://recebiliegostei.com/wp-content/uploads/2009/03/mulher1.jpg