sexta-feira, 8 de março de 2013

794 - Soneto da neomulher

E aí, é ou não é?

E aquela mulher que hoje é mulher,
Mas que antes, por acaso, não era?
Estranho, né? O antigo se exaspera,
O religioso manda o diabo recolher,

O tarado experimenta só pelo prazer,
Mas ela, que anunciou uma nova era
Em sua vida assumindo a primavera
Do novo corpo não se faz entender

Tão fácil. Isso, sim, que é revolução.
Assumir-se outra, desnudar a feição
Antiga. A sociedade não a entende.

Pois que se foda direito a sociedade,
Que a neomulher revele a identidade
E dane-se se envergonha ou ofende.

Francisco Libânio,
08/03/13, 6:38 PM
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