quinta-feira, 14 de novembro de 2013

1282 - Soneto apoteótico

Nunca sai como eu quero...
Fazer um soneto sensacional, maravilhoso
Era o que eu sempre sonhei sem chegar lá.
A poesia precisava de algo que não se dá,
Um negócio que fosse assim esplendoroso.

A palavra e a ideia, se vêm, não as doso.
Quero ainda escrever o soneto que achará
Seu justo lugar ao sol, se é que no sol há
Lugar. Quente demais, deve ser horroroso,

Pior que essa figura de linguagem chavão.
Meu soneto segue alheio a isso um serão
E nada aparece que no papel o diferencie.

Cala o soneto e o terceto vira a proforma,
A apoteose que eu buscava se transforma
Num puta-que-pariu antes que me silencie.

Francisco Libânio,
11/11/13, 12:17 PM
Postar um comentário