segunda-feira, 14 de abril de 2014

1606 - Soneto empobrecido

Pelo menos tá pago. E os seus carnês atrasados da Mercedes?

Usam o fato do outro ser pobre
Como defeito, como algo a punir.
Usam seu elitismo para se sentir
Superiores. Veem um quê nobre

Em ter uma casa e em ter cobre
No banco, ouro excessivo a luzir,
O carro do ano fazendo impingir
O mal. Que o bem fútil soçobre,

Que o ouro se revele a imitação,
Que o carro bata e deixe na mão
E que a casa esteja paga. Será?

O soneto talhado no fino marfim,
Como a ostentação, acha seu fim
E o vexame da miséria se revelará.

Francisco Libânio,
09/04/14, 7:02 PM
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