domingo, 6 de abril de 2014

1589 - Soneto da toupeira

Deixe quem digam, que pense, que falem...

Debaixo da terra, sem ter orelha
E quase e, vezes, nascida cega,
A toupeira, quem a vê, já relega
A toupeira à coitada. Dá na telha

Falar isso e tomá-la de esguelha.
Nem a conhece, corre e lhe prega:
É uma infeliz. Por que Deus nega
Sentidos. Que tenha uma centelha

De piedade de Deus da toupeira.
E dando as costas a tanta bobeira,
Ouvia se lhe contavam do rebuliço,

Porque ouvia já que não era surda
E ao saber dessa falação absurda,
Preferia ser surda a ouvir tudo isso.

Francisco Libânio,
03/04/14, 2:51 PM
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