quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

1457 - Soneto com fome

E tem quem ache dois homens se beijando revoltante.

Essa fúria atrás de quem tenha
Um pouco a mais não para ter
O que o outro tem ou para ser
O que o outro é e essa brenha

Que contra ele mesmo desenha
Mau destino ou lhe faça parecer
Um mau homem só para o lazer
De ser mau tem, sim, uma senha

E ela não é inveja nem maldade
E sim a puríssima necessidade
De calar um estômago ou mais,

Dois ou três, o seu e dos seus,
Esse pobre diabo a quem Deus
Deu de pobreza o tanto demais.

Francisco Libânio,
27/01/14, 6:53 PM
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