quarta-feira, 6 de junho de 2012

0184 - Soneto para Iracema de Adoniran Barbosa


Ela que andava sem prestar atenção,
Atravessava avenida como passarela,
Cruzamento parecia um jardim pra ela,
Congestionamento nem trazia aflição

Sinal verde era algo mais de competição,
Ela e os carros, desconhecia a luz amarela,
A vermelha era bonita, ela ficava lá a vê-la
Até que um dia ela atravessou contramão,

Veio um carro e PUM, levou ela para o céu,
O chofer não teve culpa, fazia seu papel!
Agora não há meia e sapato que confortem

O noivo que ia casar e perdeu o retrato
Dela e usa desse triste e irreversível fato
De conselho e homenagem post-mortem.

Francisco Libânio,
06/06/12, 12:16 PM
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