sábado, 24 de maio de 2014

1686 - Soneto estacionado

Em São Paulo, a vida e o automóvel param.

A vida parou ou, como o poeta,
Foi o automóvel? Dúvida cruel
Essa. O carro vai por aí ao léu,
Atravessa faixa e sem dar seta,

E para se a vaga estiver na reta,
Se não estiver, fila dupla ao bel
Prazer. Azar se é errado e é réu,
Ele no volante que não se meta

Juiz, promotor e nem presidente!
Ele manda e é sempre coerente
E quer levar essa razão pra vida.

Mas o automóvel parou. Também
A vida. Desacelera-se lá dos cem
E agora tá de carteira apreendida.

Francisco Libânio,
15/05/14, 12:29 PM
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