sábado, 29 de setembro de 2012

482 - Soneto de estranheza

Socorro!


O cara se olha no espelho e, Cristo!
Simplesmente ele não se reconhece,
Aquele em nada com ele se parece!
Melhor se ele nunca tivesse se visto!

Se, ao menos, ele tivesse previsto
O susto o evitaria como o estresse,
O trauma, a análise, mesmo a prece
Contra esse pavoroso e malquisto

Reflexo que não era ele. Não podia!
Forma tenebrosa de começar o dia,
Melhor seria a kafkiana metamorfose!

E se revê. Não é espelho, é uma foto
Do pega de ontem, filha do Capiroto
Após uma feia e alcoólica overdose.

Francisco Libânio,
29/09/12, 10:14 AM
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