terça-feira, 31 de março de 2015

1829 - Soneto autolimpante

Alguém leu meu soneto e o viu sujo,
Feio a versar apenas sobre bobagem.
Criticou, foi contra a tal sacanagem
Vista no soneto e condenou o cujo.

Eu, que o escrevi, e que nunca fujo
Da crítica, mesmo cheia de fuleiragem,
Ponderei e resolvi, de primeira viagem
Ao politicamente correto ser marujo.

Tirei a sacanagem, tolhi a grosseria,
Repreendi palavrões como se queria
Pra ver se é isso que a claque gosta.

Ficou sem sal minha nova produção,
A plateia aplaudiu por mera educação
O soneto limpinho, que era uma bosta.

Francisco Libânio,
05/03/14, 10:36 AM
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