quinta-feira, 12 de março de 2015

1809 - Soneto sem virar a chave

Começa o ano e o Poeta segue a sina
De escrever e, mais, datar cada poesia.
Certidão de nascimento, cada com dia,
Mês e ano dados por ele que as assina.

Só que vira o ano e o costume desafina
Do calendário. Põe o ano velho e devia
Ser o ano novo. Corrige, mas não arria
O hábito do ano ido que jamais termina,

Ao menos na poesia, cada com um ano
Já nascida, mesmo reparado tal engano.
E este Poeta custa a pôr na sua cabeça

Que o ano passado passou. Acostumará
Com o tempo, mas ele se surpreenderá.
O ano novo é velho e outro novo começa.

Francisco Libânio,
02/01/1415, 10:41 PM
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