quinta-feira, 12 de março de 2015

1808 - Soneto da sedução inerente

Num bar, uma dessas gostosas à modelo,
Que quer ser uma Gisele e não consegue,
Se expõe e não existe o que a sossegue
Até que se faça um elogio, seja ao cabelo,

Seja aos peitos seja à bunda. Seu apelo
É forçado e feio. Mas há quem sonegue
Uma palavra que caiba nela, que pegue,
Que seja sincera. O conjunto, sim, é belo,

Mas ao seu lado, uma gordinha cotidiana,
Normal e que é bonita, mas não se ufana
Recebeu vários olhares e tanto de elogio.

É a miséria da gostosa. Ela lá trabalhada
Mendigando um oi e essa sem fazer nada
Faz sucesso! Sensualidade é mero feitio

Francisco Libânio,
01/01/15, 8:00 PM
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