terça-feira, 28 de abril de 2015

1856 - Soneto sereiado

Aí vem de pensar em uma sereia,
Mezzo moça mezzo peixe e canta
Arrastando pro mar quem encanta
Fazendo do namorado outra ceia.

A criatura, penso, de barriga cheia,
Satisfeita vê que isso não adianta
Seu lado sexual. A vontade é tanta,
Mas na hora H o instinto trapaceia.

Ela, que era pra ser comida, come.
Saciado um apetite fica outra fome
Ainda mais vazia, pois ela não peca

Com homem. Mas aí vem um lance:
Caso ela aquiete sua fome e alcance
Seu objetivo de trepar, cadê pepeca?

Francisco Libânio,
21/04/15, 1:2 PM
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