segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

1772 - Soneto para a cadeira

Como tinha a função de conforto
E do mais revigorante descanso,
A cadeira, em qual agora afianço
Minha canseira, tem um pé torto

E disso a acuso. Pensa, eu exorto
Que suporte o peso ou eu danço
Num tombo feio e em tom manso,
Ela responde: Se eu já te suporto

Gordo como estás, e não de agora,
Meu pé torto também se estertora
Há algum tempo. Cadê providência?

Como eu, ela também tem sua razão.
Mas impossibilitado da substituição,
Ouço calado a malcriada indolência.

Francisco Libânio,
18/08/14, 12:18 PM
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