terça-feira, 22 de janeiro de 2013

727 - Soneto invejeiro

Preste atenção

Mas se o outro tem algo que é melhor?
A roupa mais cara, a casa mais bonita?
E se um quer numa obsessão irrestrita
O do outro sem hesitar em fazer o pior?

Inveja é um negócio mau e devorador.
Ela come a alma do sujeito e regurgita;
Volta a comer de novo e faz a marmita
Pra comer mais tarde com mais sabor.

E tal fome nunca passa. Olha o alheio,
Deseja pra si e nutre esse negócio feio
Da inveja, essa coisa triste e morfética.

Não se nega: O lindo jardim do vizinho
É mais viçoso, verdejante e cuidadinho,
Mas vê melhor e nota a grama sintética.

Francisco Libânio,
22/01/13, 7:46 PM
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