sexta-feira, 31 de maio de 2013

1033 - Soneto da saudade reprimida

Tem quem veja nisso a solidão pra saudade...

Mas mesmo que se sinta a tal saudade
Sem conseguir tirá-la de dentro do peito
Ela fica lá e se acumula, Não tem jeito.
O jeito é controlar quando ela invade.

Fica lá o coração com uma cavidade
E a saudade gotejando sem respeito,
Sem nenhuma necessidade. E, sujeito.
A uma possível e terrível tempestade

Afetiva, tal saudade vai aos poucos
Tomando conta e aí ficamos loucos
Ou tentamos arrebentar essa represa.

E ao arrebentar, acaba o amor e tudo
O mais. Cala-se o coração e, desnudo,
Escoa-se a saudade na anatomia tesa.

Francisco Libânio,
31/05/13, 7:20 PM
Postar um comentário