domingo, 10 de abril de 2011

Quando elas se beijaram


Quando elas se beijaram, o mundo
Abriu a boca como se chocado,
Os padres pediram excomunhão
E chamaram o beijo de ato imundo,
As mulheres sentiram tanto asco
Que taparam os olhos das filhas,
Mandaram os filhos pra dentro,
E chamaram as duas de infelizes.
Os homens de barba e bigode,
Senhores probos, acharam horrível,
Os homens que ainda nem eram,
Eram meninos que usavam calças,
Sentiram a natureza em torpe revelação
E morreriam a ceder àquele desejo

Quando elas se beijaram, seu mundo
Abriu um horizonte nunca revelado,
Um jardim de flores abrir no chão,
Um desejo de beijar mais profundo,
Ouviram, sim, vozes de um carrasco,
Mas se entregaram de vez às maravilhas
Que era este novo mundo, este momento
Revelador que as fazia satisfeitas, felizes;
Que mais que dizer o que se pode
Ou o que não se pode fez compreensível
A existência de forças que as prenderam,
Forças que provaram que eram falsas
Opiniões alheias e inúteis julgamento e condenação,
Forças que o Amor converteu num beijo.

Francisco Libânio,
04/04/11, 7:00 PM
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