sexta-feira, 15 de abril de 2011

Em Copacabana


Sentado à praia de Copacabana, o autor olha o mar tão igual ao Oceano Atlântico noutros pontos que ele já conhece. Toma uma água de coco e começa a observar as pessoas que, na manhã de domingo, compõem uma típica cena praiana carioca. O encanto da Princesinha do Mar cantada em versos por tantos admiradores é o que ele espera para que a famosa praia deixe de ser mais uma e seja A Praia.
Perto de mim, um grupo de três rapazes e duas moças toma lugar. Notam que eu os observo e me cumprimentam rapidamente. Não quero passar nota de enxerido e divido a atenção ao grupo com o mar, que está manso não muito a meu gosto, e com outras passantes igualmente bonitas às moças do grupo a quem volto a atenção. Dois dos rapazes se enlaçam num abraço discreto e o outro deita uma das moças em seu colo. A conversa entre eles é animada e a outra moça sai pra comprar milho verde para todos. Dos dois moços abraçados, um recosta a cabeça no ombro do outro, que o acaricia. Percebi tudo. São dois casais, um convencional e outro que a sociedade convencionou chamar de “esse tipo”. Não agride. Passa por mi um vendedor de bebidas e compro um refrigerante para continuar minha manhã dominical contemplativa. A moça ímpar do grupo deita-se para tomar sol e pega uma revista qualquer pra ler. O casal convencional se deita também abraçadamente enquanto o outro casal informa que vai ao mar. Eles se levantam, dão alguns passos e voltam. Desistiram por algum motivo. De novo voltam a conversar. Dentre todos ali, os dois rapazes são os mais discretos. Sabem que na praia não são o único casal de homens, mas preferem se preservar. Agora são como todos os que estão na areia. Estão deitados tomando sol e curtindo preguiça num domingo. Esqueço-me deles, do mar, das moças bonitas que passam e começo a ler um livro que eu trazia comigo. O tempo passa sem que eu perceba quando alguém me cutuca o ombro:
- Por favor, amizade... – Era o rapaz que namora a moça.
- Pois não?
- A gente tá querendo dar uma salgada no mar. Pode olhar nossas coisas pra gente?
- Tudo bem, vai lá. Divirtam-se.
Vão os cinco para o mar conversando e rindo. Fecho meu livro e dou mais atenção às coisas dos banhistas. Sempre me falaram que vir à praia é meio perigoso, mas eles ficam fora por uns quinze minutos, voltam, agradecem meu favor e abrem uma caixa. Tiram algumas cervejas e começam a beber. Dessa vez vem um do casal de moços:
- Tá a fim de uma cerva, parceiro?
Agradeço. Hoje o dia não está para álcool. Quando vejo o Sol, ele já está alto demais. Para a maioria do povo ali, isso não tem a menor importância, mas quero sair do sol do meio dia. Arrumo minhas coisas, uma pequena sacola e vou embora. Quando me vêem indo embora, os cinco vizinhos se despedem simpaticamente. Sei que não os verei de novo e nem me ocupei de saber seus nomes. Mas me agrada ver situação simpática como essa. Às vezes essa pluralidade conjugada fora de guetos faz falta. Ninguém agrediu, ninguém se expos. Mas essa manhã em Copacabana serviu pra mostrar em que essa praia se difere. Nesse breve momento de convivência pacífica com o diverso.

Francisco Libânio,
15/04/11, 7:33 PM
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