domingo, 1 de maio de 2011

Um pouco de sujeira


Quem tem o hábito de ler esse blogue percebeu que o Poeta adora sonetos. Isso é fato. Desde que li, nos tempos de colegial, uma coletânea de Camões, percebi que, sim, eu podia ser poeta também (não genial como o português) e que a forma legal pra isso seriam os sonetos. Desde lá, entre um poema e outro, os sonetos se multiplicaram. Também tomei gosto por sonetistas. E aí entrou gente do calibre de Vinicius de Moraes, Augusto dos Anjos, Bocage e Florbela Espanca. Uma tendência ao clássico e ao rebuscado como se nota. E assim, fui levando minha vida poética.
Recentemente, comprei o livro As Mil e Uma Línguas do Glauco Mattoso, um poeta sobre o qual eu já tinha ouvido falar e de quem eu já tinha lido alguma coisa aqui e ali, mas sem me chamar a atenção como os supracitados. No entanto, ao lê-lo, fui começando a ver uma sujeira que nunca encontraria nos clássicos. Foi o que me deixou inspirado. Mais que a tal sujeira, também vi que o poeta não se furta a escrever sobre temas cotidianos, situações apoéticas, algumas um tanto grosseiras. Sobre tal temática o próprio poeta faz questão de explicar – em sonetos – e de defendê-la como a se dar ao direito. Está certo. Nem todo soneto precisa ser camoniano ou viniciano. A dita poesia marginal de Glauco Mattoso, que tem em seu blogue todos os 4000 sonetos, merece destaque. Se não dos críticos mais conservadores que abominam palavrões, cenas tórridas, alusões à pederastia, a tal sujeira, que venha de um poeta nem marginal nem célebre, mas que anonimamente sempre se deu à criação de sonetos por gosto e que assimilou essa nova forma de escrever. Forma mais livre, menos apegado a sentimentalismos e mais uma forma de soltar palavras. A sujeira na poesia fica lírica e tem valor.
Será que com esse novo gás chegarei eu a quatro mil sonetos? Não sei. Nunca me dei ao trabalho de contar quantos sonetos já escrevi por minha vida, mas acredito que mesclando o refinamento dos clássicos e o bruto do poeta marginal, pelo menos mais de dez sonetos virão. Que sejam bem vindos. Quem não copia e se inspira sempre contribui. E espero dar minha contribuição com esse novo viés de poesia que passei a admirar e me deu um novo rumo sem abandonar os outros.

Francisco Libânio,
01/05/11, 10:40 PM

PS – Poderão pipocar nesse blogue poemas que venho chamando de Mattosianas. Tais poemas serão classificados como exercícios. Espero que quem os ler goste deles.
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