quarta-feira, 25 de maio de 2011

O homem árvore


De esperar a mulher amada, que amava tanto,
Deixou de tomar ônibus para o seu trabalho,
Não foi de carro curtir das noites o encanto,
Não fez muito, mas foi alvo certo do malho

De quem pôde curtir da vida o por enquanto,
Ele ficou ao léu, tomou sol, pegou orvalho,
Pegou chuva, os dias se iam e em seu canto
Ficou esperando, e esperando fez um galho,

Raiz, virou vegetal. Humanamente vegetal,
Plantado num canteiro escondido no qual
Se revelou arvorezinha de tronco mirrado,

Galhos podres, folhas mortas. Foi cortado.
Ao ser removido, uma semente esquecida
Ficou e pediu adubo. Queria frondar vida.

Francisco Libânio,
17/05/11, 9:49 PM,
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