domingo, 27 de fevereiro de 2011

Um gênio que se vai


Morreu nessa madrugada, Moacyr Scliar, médico e escritor gaúcho. Um cara que escreveu um dos livros mais fantásticos que já li, A Mulher que Escreveu a Bíblia, uma sensacional história que mistura linguagem bíblica dos profetas do Antigo Testamento com outra que deixaria Nelson Rodrigues sem jeito. Mas Scliar não é só isso. Outro livro de muita fama do homem é O Jardim dos Centauros, que eu não tive a oportunidade de ler ainda. Espero tê-la.
Mas me encantei com Scliar – como se já não tivesse sido cativado pela mulher que escreveu a bíblia – foi com seus contos. Um dia, andando por um dos sebos de Prudente, encontrei um pocket deles, Os Contistas e Outras Histórias. As outras histórias são divertidas, sagazes e gostosas de ler, mas Os Contistas é simplesmente excelente. Um compêndio de situações e estilos. Uma das melhores histórias que já li.
Ano passado, na Feira do Livro de Prudente, um dos poucos eventos culturais envolvendo literatura nessa cidade, o encerramento contava com uma palestra do velho Scliar, um evento único. Como não andava muito bem àquela época, deixei pra lá. Achava que no ano que vem ele voltaria, afinal hoje não há tantos grandes escritores de fama como ele era. Não tem mesmo. E nesse domingo ficamos órfãos de mais um. Quem sabe é um ensinamento para mim. Oportunidades são, mesmo, únicas. Scliar agora só em livros, entrevistas. E sem direito a nada inédito. O mundo tem dessas coisas. E quem sai perdendo somos nós, admiradores da boa literatura. Uma pena.

O texto de hoje vai sem data, Não acho legal datar dias de falecimento. A história fará isso por mim. Eu prefiro me lembrar do evento, não do instante. Dentro de algum tempo vão falar “Faz dois anos, dez, cinquenta que Moacyr Scliar morreu”. Só o fato dele ter nos deixado já é suficientemente triste.
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