quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Soneto de contrição do poeta ante aos belos seios da musa


O poeta, qual escultor ante à modelo,
Mais que fitar, contempla a forma bela
Da musa. Faz mais. Interioriza-se nela,
No corpo perfeito e passa a escrevê-lo

E num transe, ele cioso, enche de zelo
Esta mulher, sua amante, sua estrela,
Corpo esplêndido que a ele interpela
Se há no mundo outro corpo mais belo

Não há, ele responde enquanto esquadrinha
Cada detalhe até chegar àqueles seios
Maravilhosos, porto onde se aninha

A atenção do poeta, que tenta e tenta
E não consegue louvá-los. Secam os veios
De sua verve e a poesia fica sedenta.

Francisco Libânio,
22/02/11, 11:31 PM
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