sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Paquera


- Boa noite. Alguém já lhe disse que a senhorita é linda?

- Sim, meu pai, meus tios e meus ex-namorados.

A conversa acontecia num barzinho desses em que solteiros tentam a sorte e casais vão se divertir. Alguma coisa começou bem. Se os ex dela falaram que ela é linda é sinal que não tem ninguém na parada. Bom pra insistir.

- Pois acrescente mais um no currículo. Prazer, eu me chamo Haroldo.

A moça fez um “ah” e respondeu:

- Eu sou a Rafaela, prazer.

Prazer é todo meu, pensou. Então o alvo tinha nome, se chamava Rafaela, usava uma roupa escandalosamente provocante e estava sozinha. Puxou uma cadeira mesmo sem ser convidado e pediu algo pra beber. Ela não achou de bom tom, mas não reclamou, o lugar estava cheio.

- E o que você faz sozinha nesse lugar?

- Vim me divertir. Semana cheia, sabe? Precisava arejar.

- Eu vim à procura da mulher da minha vida. Tantas tão lindas aqui. Mas acho que já tenho uma escolhida.

- Uau, que legal! – e nisso a moça arruma a aba do seu sutiã a aparecer no generoso decote. Uma indireta? Talvez, mas o espetáculo foi bom e, aparentemente, sem constrangimentos.

- Sim, to precisando me amarrar, sabe? Cansei de ficar pulando de galho em galho.

- Faz muito bem. Coisa que eu detesto é homem que não se prende a nada nem a ninguém. Também quero achar uma pessoa assim. Já passei do tempo da brincadeira.

Bingo! Ela estava quase conquistada. Na verdade, ele mentiu. Ainda não queria se amarrar coisa nenhuma, mas se a noite com o troféu de hoje fosse boa, prometeu pra si mesmo, ele revia sua posição. Aquilo era mulher pra casar.

Silêncio breve, ela pede um drinque. Ele pede uma cerveja. Os dois bebem. Ela tem jeito de que facilita o jogo quando bebe, pensou. Ela o olhou e perguntou:

- Você.... tem cara de casado.

- De jeito nenhum!

- Olha...

- Tô falando sério. Sou solteiro mesmo.

- Tá bom, vou acreditar, hein?

“Que sufoco! Onde ela viu cara de casado? Será que é a barba por fazer? Como mulher encana com essas coisas? Pois bem, agora contra-atacar” pensou. Enquanto ela bebia:

- E você?

- Eu o quê?

- Já foi casada? Tem filhos?

- Não. Já fui noiva, casamento marcado, certinho, mas acabou antes.

- Que chato, mas você vai achar sua metade.

Ela se levantou para ir ao banheiro. Meio desastrada, roçou a perna dele com os joelhos e para se apoiar, segurou as mãos dele. Foi quando viu a saia curta, mas comportada e o par de pernas lindas. Ao passar por ele, segurou-lhe os ombros. Já havia toque demais. Certamente, estava tudo certo na cabeça dele. Hoje, ele não dormiria sozinho. Quando ela voltou dizendo “Já é tarde, eu vou embora” foi a chave para a pergunta:

- Vamos para onde?

- Oras, eu vou pra minha casa, e você?

- Vou junto.

- O quê? Tá louco?

- Gostei de você, é a mulher da minha vida! Você também que um homem pra sua e esse sou eu. Vem, vamos começar nossa história de amor!

O bar todo olhava a mesa. Ele cresceu pra cima dela atrás de um beijo, um abraço o que fosse. Com boa ginga que tinha, conseguiu se desvencilhar. O sujeito de cara no chão foi cercado por três outros e expulso do bar, que não admitia maníacos nem baderneiros. Ela viu que aquilo não era homem pra ela. Onde ele achou que tinha condição?

Francisco Libânio,

14/01/11, 6:31 PM

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