sábado, 1 de janeiro de 2011

Nunca antes na história desse País


Deixando de lado todos os partidarismos, todas as antipatias e todos os ranços que o acontecimento traz em si, o primeiro dia de 2011 é um dia para ser guardado ad-eternum na história do Brasil, sobretudo em sua fatia mais recente: Goste-se ou não, pela primeira vez, o Brasil assiste a uma mulher tomando posse do cargo mais alto do país.

Isso é algo para se orgulhar, afinal vivemos num país marcadamente machista onde as mulheres conseguiram direitos recentemente. O do voto, inclusive. Se o leitor menos atencioso souber que o fato se deu em 1932 vai questionar sobre o ser recente. Mas, comparado com outros países, a coisa pode valer como um ontem.

Mas a eleição da presidente (ou presidenta? Escolha o leitor a forma que melhor apetecer) Dilma Roussef merece, mesmo, uma atenção festejada. Quem não simpatizar com a ex-guerrilheira, seja pelo motivo que for, terá que colocar o fato desta eleição ter contado com duas mulheres. Poderiam ser outras, pois mulheres competentes para presidir um país este tem várias. Uma foi escolhida. A outra não seria má escolha. E o resto é discussão passional envolvendo ideologias.

Mas já que entramos em ano novo e década nova de presidente (ou presidenta, valem os dois?) nova, o lance é torcer. Quem votou na primeira mulher precisa fazer valer sua convicção e provar que estava certo para não se decepcionar depois e ouvir “eu não disse” em profusão da ala contrária. A ela, que democraticamente foi subjugada nas urnas, cabe a fiscalização rígida, mas consciente sobre os anos que virão. E, acima de tudo, é preciso que se torça, torça muito pelo sucesso não da pessoa que preside, mas pelos bons resultados que podem vir. Quem for brasileiro de verdade não quer o mal do país. E ele é muito maior que uma presidente, uma mulher ou um evento, mesmo que ele seja inédito na história.


Francisco Libânio,

01/01/2011, 1:01 PM

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