sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Extra Few Pounds



Não sou advogado da Preta Gil. Sequer ganho para defendê-la (nem um beijo de muito obrigado, cáspita!). Mas a usarei como ilustração bem realçada de algo que, sinceramente, não consigo compreender muito bem: A contínua perseguição com as mulheres um tantinho acima do peso.

Veja bem: Chegamos num nível humano em que os homens querem as mulheres a régua e compasso, mas com o compasso nos lugares certos. Curvas, elipses e hipérboles em ponto errado de corpo de mulher desvalorizam completamente o material na cotação masculina.

Aí, de repente, aparece uma moça que tem, por acaso, os seus extra-few-pounds, suas gordurinhas localizadas, mesmo que elas estejam localizadas entre a testa e o dedão do pé, mas que, mesmo assim, conserva um rosto bonito, um sorriso atraente, uma conversa envolvente. Não interessa. A essas, a pecha de gorda fica como se marcada a ferro nas ancas dessas mulheres. Os maledicentes diriam que nessas ancas, além de gorda, daria pra escrever, pelo menos, mais uns quarenta sinônimos. Eu já vejo que nelas daria pra escrever um soneto. Quiçá sobre as próprias ancas.

Especificamente falando da Preta Gil, alvo preferido dos detratores da gordura feminina e dos esquadrões pela perfeição curvilínea, pouco conheço sua obra enquanto artista, mas das vezes que a vejo em programas ela me passa alguma simpatia pela beleza conjuntural e pela desinibição. Sou muito mais isso às mocinhas bonitinhas, enquadradinhas numa modelo e que seguem um roteiro prévio até pra respirar.

E então volto ao meu dia-a-dia sem Preta Gil, mas, principalmente, sem as modelinhos. Saio na rua e vejo culotes saltando de blusinhas que, originalmente, deveriam mostrar só o umbigo. Moças brancas, morenas, negras, mestiças todas muito longe do Bündchen style que nos jogam na cara e fico pensando se – realmente – é preciso viver só de alface e suco de soja pra ser feliz. Antigamente, mulheres robustas traziam o sinônimo de fertilidade e boa saúde. Hoje a delgadeza traz o bonito e, até mesmo, a saúde simbolizada pelo seu oposto. E, esperando chegar nessa perfeição traçada em linha reta, muitas meninas encontram uma anorexia fatal.

Por isso, vejo em mulheres como a filha do nosso ex-ministro e bom baiano as mulheres que encontro no ponto de ônibus, na fila do supermercado, na rua... E o mais engraçado é ver mulheres que estão com aqueles três, cinco quilinhos acima do que elas acham ter e se comportam como se fossem moçoilas nas passarelas. Essas, sim, merecem o devido esculacho.


Francisco Libânio,

15/08/09, 10:42 AM



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