sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Causo


O seu Nogueira vivia num sítio afastado da cidade. Podia acontecer o que fosse na “civilização” (porque assim seu filho insistia em chamar a cidade) que seu Nogueira sabia só no dia seguinte pelo jornal da manhã. A televisão era o elo entre o sitiozinho e o mundo. E nem se coçava muito. O dólar podia subir, o petróleo podia acabar, as ações podiam cair vertiginosamente que, não faltando o banho de lagoa com a família, tudo estava bem pro seu Nogueira.

Um dia, falaram na cidade de extraterrestres em nosso planeta. Muitos acreditaram, muitos duvidaram. Uns não queriam nem saber e uns outros queriam logo ser os melhores amigos dos novos visitantes. O Alaor, homem urbano convicto, mas que gostava de passar um fim de semana por bimestre em contato com a natureza – e justamente no rincão do seu Nogueira –, adiantou uma de suas visitas só pra saber o que o velho amigo da roça pensava sobre os extraterrestres. Passou a mão no carro e se mandou para o idílico sítio.

Qual foi sua surpresa ao se deparar com homenzinhos amarelos estirados em redes e sentados ao pé das mangueiras ou manchados de amora! Eles deram bom dia, perguntaram da família e tudo mais numa tranqüilidade que parecia nunca terem vivido antes. Mas ali eram as terras do seu Nogueira, não eram? Sim senhor.

- E onde ele está? – perguntou assustado.

- Tá lá dentro, moço. Ajudando a esposa a tirar uma fornada de pão quente. Puxa uma cadeira e toma um café com a gente. – informou o homenzinho preguiçoso da rede que mascava um capim.

Francisco Libânio,

16/12/10, 7:27 PM

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