domingo, 10 de novembro de 2013

1275 - Soneto desastradamente supersticioso

Pelo menos ficou um vitral bonito.

Quebrou o espelho. Fodeu! Sete anos
De azar vos aguardam. Amigo, já era!
E a coisa piora quando se desespera,
O azar adora pregar os mais insanos

Também os desastrados pelos danos
No espelho. Pois agora virá a quimera
E ela ficará no seu ombro numa espera
Setenal. Durante eles, nada de planos,

Cancele projetos, casamento, esquece!
É a sina de quem do anátema padece
E de quem, nesse fato, guarda sua fé.

Senão tem, beleza, Espelho pro saco,
Pega a vassoura, recolhe todo o caco
E se cuida contra o azar de cortar o pé.

Francisco Libânio,
09/11/13, 12:22 PM

1274 - Soneto felinamente supersticioso

Eu dou azar? Ora, vá se...

Ser cruzado por um gato preto,
O sujeito já vê isso como azar,
Desconjura e se entrega a rezar
E usa todo e qualquer amuleto.

O gato, esse paga o panfleto
De ser agourento, de bruxear,
Se o veem, correm pra andar
Noutra calçada, passam reto.

Mas o gato, nem se incomoda,
Põe de lado a ignorância toda
Até o viés que soa até racista.

Prefere a vida dele, paz felina
E negra lamentando a má sina
Do homem que dele se dista.

Francisco Libânio,
08/11/13, 12:17 PM

sábado, 9 de novembro de 2013

1273 - Soneto que reina no boteco

Muito mais um amigo Barney que um Rei do Camarote.

Se uns reinam em baladas elegantes
De bebidas caras, uns são contentes
Com pouco. Apenas as aguardentes,
Ovos, salsichas curtidas bem antes

Do que imaginam os seres pensantes
Que veem com nojo esses ambientes.
Se os acepipes boiam nos recipientes,
As bebidas nos descem refrescantes.

E um almofadinha curte na boate cara
A posição que o dinheiro fácil separa
Pagando uma baba pelo que o boteco

Oferece por preço módico e simpatia
Garantida por quem no balcão esfria
A barriga irrigando a alma no caneco.

Francisco Libânio,
08/11/13, 8:21 AM

1272 - Soneto que reina na balada

Eu jurava que o rei do camarote fosse o Thiago Leifert numa primeira olhada. Sério. Mas se não é mala, é caloteiro.


O cara, pois, é o rei do camarote,
Vai bonitão de Ferrari pra balada,
É de champanha de três mil cada,
Não há dinheiro ali que se esgote,

E além de gastança, está no lote,
Lógico, uma bela e casual trepada,
Mas cuidado com o rei, camarada,
O sujeito gastão é bom de calote.

Porque a obrigação, essa espera.
Antes vêm a esbórnia e a paquera,
O IPTU, paga se sobrar dinheiro.

Sai na revista e paga de gostoso,
Enquanto é escroque e indecoroso,
É o típico playboyzinho brasileiro.

Francisco Libânio,
07/11/13, 7:15 PM

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

1271 - soneto aguado

Tem seu charme.

Chamam, a diminuir uma loirice,
A mulher de aguada, oxigenada.
O recurso para se por arrumada
É válido. Pois lá se desperdice

Um vidrinho, aloure-se, enfeitice,
Lembre algo de uma atriz adorada,
Mire-se e pareça uma linda fada
E deixa de lado o disse-que-disse.

Se a acharem aguada, tudo bem,
A água é vida e não se vive sem
E oxigênio, pra existência, é vital.

E se a inveja vier de boca aberta,
Deixe falar, um dia ela se acerta
E tenta ficar bem sem falar o mal.

Francisco Libânio,
07/11/13, 12:41 PM

1270 - Soneto remodelado

Sem exageros...

É clara a subjetividade da beleza,
Mas isso é tema pro Umberto Eco
Debater. A mim cabe só o xaveco
Se a dama merecer a delicadeza

De um elogio e frontear a natureza
Além de ir contra regando o seco,
Inflando o pequeno e pondo teco
De plástico sendo a boa freguesa

De cirurgiões pode agradar o olhar,
Mas depois, igual a um urso polar
No deserto, a coisa parece estranha,

Fora de lugar o detalhe não afina
Com o todo termina sendo rotina,
É mais uma de mesma artimanha.

Francisco Libânio,
07/11/13, 11:16 AM

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

1269 - Soneto atravessado

Como não gostar?

Querer a mulher mais perfeita,
Até o homem mais tonto quer,
Pega a esse tonto esclarecer
“Perfeita”. Descrição bem feita

Nunca bate ou pouco ajeita
Uma e a outra. Raro o poder
De construir a exata mulher,
Acima de qualquer suspeita.

A mulher que tenho por ideal
É negra de ares de intelectual
E seu corpo tem muita fartura.

Descrevo isso e um já me cala!
Preta e gorda? Cara, tu é mala!
Assim a discussão vã perdura...

Francisco Libânio,
07/11/13, 8:10 AM