terça-feira, 14 de maio de 2013

1006 - Soneto (quase) fiel (parodiando Vinicius)

O negócio é manjar das putarias!

De tudo ao meu amor serei atento
E a cada dia depois serei um tanto
A mais e mais decantarei o encanto
Que será só seu. Meu pensamento

Será seu outdoor e todo momento
Ao lado será único, valerá um canto
Como será meu também seu pranto
E me deixará feliz seu contentamento,

Mas vai que dada moça me procure
Dizendo que sem mim ela não vive
Ou que, mais que você, ela me ama...

Aí, amor, esqueço tudo o que tive
Pelo tempo em que durar tal chama
Ou pelo tempo que a canalhice dure.

Francisco Libânio,
30/04/13, 9:18 AM

1007 - Soneto ensolarado (parodiando Vinicius)

Não é fácil não!

O Sol, desrespeitoso do equinócio,
Não dá a esta cidade os desvelos.
Pelo contrário. Queima forte pelos,
Pele, neurônios e nesse pleno ócio

Agride, incomoda até que se roce
O corpo da Amiga e só os cabelos
Dela, pois fricção dá mau negócio.
Calor muito impede melhores zelos.

Quem não gosta tem ares de briga
Com o sol. Aqui não há o desafogo
Da costa. Mais que o Sol prossiga

Queimando, para ele, tipo de jogo,
Mais quente melhor, tomo a Amiga
E só chuveirada pra apagar o fogo.

Francisco Libânio,
14/05/13, 9:09 AM

sexta-feira, 3 de maio de 2013

1005 - Soneto de descaminho (parodiando Bilac)

Tchau, trouxa! Inspirada em Nel Mezzo del Camin

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, mas já sabias que eu vinha
E vieste. Sentias-te em algo errada,
Mas este ilícito muito bem a ti vinha.

Disseste-o. E assim, logo à entrada
Do quarto, o beijo, despi-la e, nuinha,
Beijar-te e transar contigo afobada,
Com medo e à luz te gelava a espinha

E te esquentava o corpo. À partida,
Disseste: Foi só isso e me esquece!
Segue cada qual consigo sua vida.

Pois, lembro dessa noite e me tremo.
Some a temerosa e a cruel aparece
Usando a maldade no nível extremo.

Francisco Libânio,
29/04/13, 5:57 PM

quinta-feira, 2 de maio de 2013

1004 - Soneto estrelado (parodiando Bilac)

Se não escuta, o problema é teu! Inspirado em Via Láctea XIII

Então você ouve estrelas? Certo!
Você tá louco! Diz com espanto
Você crendo-me ser um deserto
De bom-senso e, em desencanto,

Não zomba, tem pena. E adianto,
Que estou, como sempre, coberto
De lucidez e se eu, com encanto,
Ouço estrelas é que sou esperto

E você me pergunta, meu amigo,
Como que você vê nisso sentido?
Andou fumando o quê? E eu digo

Vá às porras e enfie as cancelas
No cu! Não precisa estar fodido,
Nem bêbado para ouvir estrelas.

Francisco Libânio,
29/04/13, 12:16 PM

1003 - Soneto delirado (parodiando Bilac)

Tem quem goste. É um homem bonito. Inspirado em Delírio.

Ela lá, nua. Eu aqui no meu pejo.
Vem sem medo, amor, ela dizia.
E eu, já sendo amor, enfim cedia.
Sedento, fui tomar aquele beijo.

Excedia em muito o meu desejo,
Também a curiosidade excedia.
Por mulher há pouco ela existia,
Ainda assim falava qual arpejo.

Em suspiro de gozos infinitos,
Pediu ser chupada em um grito.
Acariciei. Volume lá não senti.

Ela pedia: Vem, aqui de boca!
O que ela foi? Vontade era louca!
Hoje ela é o que é. Eu obedeci.

Francisco Libânio,
29/04/13, 10:25 AM

1002 - Soneto pela língua portuguesa (parodiando Bilac)

Futura ABL (Poesia inspirada em Língua Portuguesa

A última flor do Lácio, de tão bela,
Ajardinou ricamente essa literatura
Enchendo de lirismo e poesia pura
Tendo formosa luz até a fraca vela,

Havendo beleza mesmo na obscura
Obra, que enchia de prazer ao lê-la
Enquanto a nata garantia a chancela
De qualidade, de louvor, de ternura.

Mas passa o modernismo e a toma
De assalto o vandalismo em largo
Passo a estragar esse lírico idioma.

Surfistinhas e Coelhos, meu filho,
A se fiarem no que há de amargo
Roubando de Camões todo brilho.

Francisco Libânio,
29/04/13, 10:00 AM

1001 - Soneto arabesco

Ia ser perfeito!

Minhas mil e uma noites eu queria
Ter, também, a minha Sherazade
A contar histórias bem à vontade
Me satisfazendo até o raiar do dia,

Ali Babá, Aladim, qualquer valia.
Importa a odalisca ter a bondade
E uma voz repleta de suavidade
Além do toque doce que acaricia

Meus cabelos. E, claro, deve ter
Pneuzinhos, corpinho a se perder,
Beleza moura só que reforçada.

As histórias são pra dar a pimenta
Antes de tirar toda a vestimenta
E me embrenhar nessa namorada,

Francisco Libânio,
29/04/13, 8:09 AM