quinta-feira, 18 de abril de 2013

961 - Soneto reminiscente

Era maravilhoso!

Criança assistia ao Pica-Pau
Amarelo uma pérola infantil
A unir o educativo e o pueril
E a dar ao infante o maioral

Poder de sonhar. E o legal
É que minha geração viu,
Teve gosto e a mente abriu.
Hoje, vejo TV. Estamos mal!

O infantil é pura porradaria,
Até existe alguma fantasia,
Mas há muita malícia atrás...

Digo, podia ser antiquado,
Ser reacionário e quadrado,
Mas que falta o Lobato faz!

Francisco Libânio,
18/04/13 11:33 AM  

960 - Soneto da coincidência despercebida

Acho que o Mr. Hank tem algo a ver com isso, hein?

Entre o domingo e a quinta-feira,
Duas explosões em solo ianque.
E tudo se faz a que se arranque
Um culpado para a coisa inteira.

A inteligência quer dar de aroeira
No lombo de um num palanque
Para que geral veja e se manque:
Aqui não tamos pra brincadeira!

Mas entre Boston e a tal “factory”
De fertilizante há o que aflore
Em parecença. Veja e reconheça.

Boston! Fertilizante! De que vem
O segundo? Então digo: Quem
Explodiu tinha merda na cabeça.

Francisco Libânio,
18/04/13, 10:55 AM

959 - Soneto do abraço de ursa

Eu quero!

Se houver coisa melhor que abraço,
Que me contem e me deem prova.
Não que o prazer tido numa alcova
Seja ruim, Tendo chance eu o faço,

Mas o abraço. Ele é o melhor laço.
Antes e depois do sexo, a trova
Que abre o romance e o aprova
Uma guerra do bem pelo espaço

Do outro. Ocupação consentida.
E se for um de uma bem fornida
Dama, robusta, de plano o quero.

Ele é como o de urso, agressivo,
Envolvente, mas amo este crivo
De mãos no qual me regenero.

Francisco Libânio,
18/04/13, 10:25 AM

quarta-feira, 17 de abril de 2013

958 - Soneto franco feminino

A ideia era ficar bonita, não era? Algo saiu bem errado.

A mulher aloira a cabeleira,
Mete uma lente de contato,
No corpicho mexe, dá trato,
Silicona-se, reforma inteira,

Botoxiza-se e mexe na eira,
Na beira; como fosse nato
O remodelo em nada barato.
Faz-se nova, ergue traseira,

Tira marcas. Está a contento!
E enfim tome bronzeamento
E perfume para melhor cheiro.

Ai, essa mesma mulher chora
E diz que os tempos de agora
Não existe homem verdadeiro.

Francisco Libânio,
17/04/13, 7:03 PM

957 - Soneto fisco-declaratório

Tá declarado. E dispenso a restituição.

Nessa época do ano, bate à porta
Atrás do nosso suado tutu o Leão
Do Imposto. Justo haver tributação,
Ao bem social isso muito importa.

Mas só vejo um tanto quanto torta
E dada à galhofa a tal expressão
Usada pela aí: Fazer a declaração.
Declarar? Uma declaração exorta

Uma pessoa querida, aí me declaro
Porque meu sentimento, de tão caro,
Pede que eu seja amoroso e gentil.

Agora me declarar à Receita Federal?
Que pega meu dinheiro e o usa mal?
Só posso mandá-la à puta que pariu.

Francisco Libânio,
17/04/13, 6:32 PM

956 - Soneto nada místico

Sem frescura!

Mas ainda que creia na existência
De outros planos além do nosso,
É bem nesse onde a luz e o fosso
Do homem, com toda proficiência,

Cobram ônus e moldam a essência.
Se a outra esfera vai o que é insosso
E invisível, por aqui nos fica o osso
Tão calejado pela nossa experiência.

É aqui que se vive a vida conhecida,
Pois que se faça o bom uso da vida
Que lá no outro lado pouco se faz

Para o lado de cá. Faz aqui e paga
Aqui. De lá não vem pena e chaga
Façamos aqui para irmos lá em paz.

Francisco Libânio,
17/04/13, 12:41 PM

955 - Soneto cabalístico

Por que não?

Falar que o mundo é só isso
E nada mais. É morte e juízo
Final com inferno ou paraíso
A depender de todo serviço

E passa reto, faz o omisso
Se ouve que há outro piso
Outro plano e, com tal siso,
Xinga quem acredita nisso.

Esse poeta semi-espiritual,
Que crê num mundo fractal
E nunca viu alma do além

Discorda deste único plano.
Não prova mas, sem engano,
Crê noutros planos também.

Francisco Libânio,
17/04/13, 10:31 AM