segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Soneto de segunda feira


Quero escrever um soneto que me marque,
Uma poesia que fique em minha história,
Um soneto meu com o qual eu viva e arque
Com conseqüências positivas. Glória?

Não espero tanto, mas adoraria se viesse.
Com um poema só duvido que aconteça,
Mas adoraria criar algo que explode, acontece,
Escrever algo inesquecível, bom à beça.

Mas minha cabeça, hoje, não me permite.
Paciência, nem todo dia é dia de poesias.
Senta-se, espera-se que surja um palpite

Da vida, uma dessas inspirações fugidias,
Uma que venha, conceba e me reabilite
Do vazio criativo e me presenteie alegrias.

Francisco Libânio,
20/12/10, 10:18 AM

domingo, 19 de dezembro de 2010

Além do meu amor, eu


Além do meu amor, eu. O que tenho
Para te dar de coração pode ser nada,
Pode ser pouco, mas se eu venho
E te dou meu amor e eu em apaixonada
Oferta e olho em teus olhos que tomas
Em mãos o teu mais exclusivo presente,
Durmo tranqüilo com o melhor dos diplomas
De um bem intencionado. É que felizmente
Meu amor e eu estaremos do mal protegidos
Em boas mãos e dentro de um bom coração
Bem guardados e bem servidos.

Francisco Libânio,
19/12/10, 2:07 PM

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Causo


O seu Nogueira vivia num sítio afastado da cidade. Podia acontecer o que fosse na “civilização” (porque assim seu filho insistia em chamar a cidade) que seu Nogueira sabia só no dia seguinte pelo jornal da manhã. A televisão era o elo entre o sitiozinho e o mundo. E nem se coçava muito. O dólar podia subir, o petróleo podia acabar, as ações podiam cair vertiginosamente que, não faltando o banho de lagoa com a família, tudo estava bem pro seu Nogueira.

Um dia, falaram na cidade de extraterrestres em nosso planeta. Muitos acreditaram, muitos duvidaram. Uns não queriam nem saber e uns outros queriam logo ser os melhores amigos dos novos visitantes. O Alaor, homem urbano convicto, mas que gostava de passar um fim de semana por bimestre em contato com a natureza – e justamente no rincão do seu Nogueira –, adiantou uma de suas visitas só pra saber o que o velho amigo da roça pensava sobre os extraterrestres. Passou a mão no carro e se mandou para o idílico sítio.

Qual foi sua surpresa ao se deparar com homenzinhos amarelos estirados em redes e sentados ao pé das mangueiras ou manchados de amora! Eles deram bom dia, perguntaram da família e tudo mais numa tranqüilidade que parecia nunca terem vivido antes. Mas ali eram as terras do seu Nogueira, não eram? Sim senhor.

- E onde ele está? – perguntou assustado.

- Tá lá dentro, moço. Ajudando a esposa a tirar uma fornada de pão quente. Puxa uma cadeira e toma um café com a gente. – informou o homenzinho preguiçoso da rede que mascava um capim.

Francisco Libânio,

16/12/10, 7:27 PM

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Quadrinha de Necessidade


Eu precisava de atenção contra minha carência,
Precisava de seriedade e de compromisso
Até que vieste, vivi contigo o amor em experiência
E eis que teu amor supriu tudo isso.

Francisco Libânio,
16/12/10, 5:45 PM

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O poema do meu amor


O poema do meu amor, queria com letras douradas,
Em seda chinesa e ornei com diamantes
Fiz requinte e fiz beleza para compará-lo
A ela em quesitos em que ela é inigualável
O poema do meu amor foi escrito de forma amável
E quis correr o mundo e perigos para dá-lo
Em mãos. Combinei com pássaros cantantes
Para ao final da leitura piar odes apaixonadas

Mas não foi bem assim, o dourado era bijuteria,
A seda era imitação e os diamantes eram caros,
Sobraram o requinte e a beleza, mas comparar?
Como, se ela é a mulher mais linda do planeta?
Não me intimidei corri o mundo ao me fazer poeta,
Convoquei os pássaros dizendo o que se ia cantar,
Meu amor leu, ponderou e relevou o despreparo;
Agradeceu o verso dizendo que sendo meu ela o leria

Oras, que bobo que fui. Querendo encher de rococós
E de perfumarias algo simples como uma flor,
Esqueci-me que todo o ornamento cala a voz
Tímida, mas eloqüente que tem este meu amor.

Francisco Libânio,
15/12/10, 10: 26 AM

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Eu queria escrever o teu soneto


Eu queria escrever teu soneto... Não consegui!
Faltaram palavras sobrou inspiração,
Ela estava todo tempo comigo, ali,
Esperando ser usada com precisão

Ela estava deitada em minha imaginação,
Nua, oferecida esperando... Ela era igual a ti
Na nossa noite de amor, envolta em paixão
Com um segredo maior, que eu descobri

Era teu amor, puro genuíno e cristalino,
Este amor que exigiu de mim teu soneto
E que tentei escrever sem ter sucesso

Escrevi este, no qual agora me despeço
Prometendo presente digno e completo
Amando-te enquanto me inspiro e desatino.

Francisco Libânio,
14/12/10, 12:02 PM

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meu mundo


Meu mundo de muitas letras e poucas obras
É um monte de escombros, cacos, estilhaços,
Meu mundo que eu esperava viver de abraços,
Quando tem um, ele pega do que são sobras

Meu mundo, antes de sorrisos e de luzes cheias,
Não pagou a conta e os sorrisos foram embora,
A escuridão e a penumbra vão além da sua hora
Onde havia frases bonitas tem sombras feias

Meu mundo, tão internalizado e tão ensimesmado,
Caiu do décimo quinto andar e afundou o chão,
Vendeu amor por ninharia e tomou emprestado

O amor alheio como se fosse seu. Ficou a lição
De que o mundo aceita o que está ao nosso lado,
Mas não admite a órbita nesse outro por missão.

Francisco Libânio,
13/12/10, 3:09 PM