quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Gosto das bocas


Extraído de http://kptu.files.wordpress.com/2008/09/beijo1.jpg

Gosto das bocas que vivem o beijo
Como se ele fosse o último e o primeiro,
Como se o amor a vir fosse não o herdeiro
Ao seu fim, mas seu sucessor sobejo,

Gosto das bocas que ditam o roteiro
Do amor sendo seu principal ensejo
Primeiro com palavras atiçando o desejo
Misturando o lascivo e o fagueiro.

E depois nos beijam e são carinhosas
Com gestos e mais palavras amorosas
Tendo, ao final do amor, uma voz a me ninar

Gosto de bocas lindas como é a tua,
Que, como numa dança, a mim se insinua
Convidando-me para ela beijar.

Francisco Libânio
17/02/09
6:15 PM

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

09 - Diz-me... Do amor e de sua felicidade


extraído de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-_L5y1IxRVPDY1VwZ9NWHbC_ns7pKNBhMRz3yGDr_wIZyb5CuOmknzbb_BUz7c771manRTpLJ-QlyjUWcmtpPhZZetOSOniPVK1GBfmxDvti7ASUpJcfzyiJkCnP9COAwNCpg95w7TAmK/s400/amor+matematico.jpg

Diz-me... Do amor e de sua felicidade,
Qual o segredo e o termo desta equação?
Como resolvê-la e como chegar à solução
Sem ter que passar pela desdita dificuldade

De tentar sem errar qual a operação
Correta para se achar o amor de verdade
Aplicando o elemento que o ponha em igualdade
Com o ser feliz nele e em sua obrigação

Diz por que tal matemática está além do nível
De tantos e por que há os iluminados
Nela que, mais do que óbvio e possível,

Fazem desta ciência sua vida e sua arte
Sendo mais que felizes, sendo abençoados
Resolvendo-a a todo instante e em toda parte.

Francisco Libânio
16/02/09
11:32 PM

Propriedade do alheio


extraído de http://www.adorocinemabrasileiro.com.br/filmes/mulher-de-todos/mulher-de-todos05.jpg

Não és, senão pelo teu próprio pecado,
Feita para que te dêem nome e companheiro
Já que nome te dão os piores primeiro
Nem te dás por feliz com quem tens ao lado

És forjada pelo mais nobre ferreiro
E esculpidas tuas formas pelo afamado
Cinzel do ourives, mas este corpo foi dado
Para o cuidado libertino e prazenteiro

De quem nunca te quis boa e castiça
E eu, que te amei, ontem, hoje e amanhã
Serei passado e tu não saberás quem

Será teu amor. Faça-se tua estranha justiça.
Eu te quis e te tive, mas vai e segue teu afã
De ser propriedade do alheio e de ninguém

Francisco Libânio
16/02/09
6:00 PM

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

08 - Sou um menino. Sou uma impúbere criatura


extraído de http://thumbs.dreamstime.com/thumb_225/1199989624N1b593.jpg

Sou um menino. Sou uma impúbere criatura
Para quem muito do mundo é uma novidade.
Para mim são sinceros os olhares de candura
Bem se ouço darem a palavra julgo verdade,

Vejo como espontânea a insistente procura
De um homem a uma mulher e a intimidade
É uma conversa a dois e a melhor formosura
De uma mulher é sua doçura e sua bondade.

E em meio há tudo que há de bom há a esquisita
Mania de alguns poucos homens do insulto,
Do engano ao próximo para se beneficiar.

Sou um menino, sou o restinho que acredita
Nisso tudo, mas que mora no coração de um adulto
Escondido do mundo que deseja me matar.

Francisco Libânio
11/02/09
5:41 PM

A Hora Tardia


Extraído de http://i185.photobucket.com/albums/x93/perdida2007/SENSUAL2/CASAL.jpg

Vai adentro a noite. Que nos importa
Ela no que fez ou para onde possa ir?
Que importa a nós se está a aurora a vir
Dentro de instantes sua coloração morta

Ou até mesmo o dia a nos descobrir?
Que descubra, que nos ache à porta
Como estamos agora em paz. Que importa?
Noites e dias que virão estarão a sorrir

Porque agora, e eis o que vale, não corre
Nem tempo nem vida. A vida é o abraço
Caloroso que nos aquece nesta cama

E lá fora passam sóis e luas nesta chama
De nome tempo, mas em nosso espaço
Vivemos eternos enquanto a noite morre.

Francisco Libânio
29/01/09
5:42 PM

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

07 - Para uma única, simples e solitária flor


extraído de http://www.sph.umich.edu/apihealth/images/White%20flower.jpg


Para uma única, simples e solitária flor
Que escreveria eu, poeta que vê belezas
Não numa única flor, mas em algo maior?
Como jardins polifloridos onde as altezas

Dos poetas imaginam idílios e princesas
A amá-las ou a me amar. Oh, egoísmo mor!
Mas, volto-me à flor e suas miudezas
Para, num instante, observar atento sua cor.

Um branco! Uma alvura que, de tão intocada,
Desconhece qualquer outra cor que exista,
Talvez nem faça idéia do que seja um jardim.

Eis que esqueço a princesa por mim não amada.
De súbito, esta casta flor me conquista
E lhe escrevo algo do qual não quero o fim.

Francisco Libânio
11/02/09
12:32 AM

Soneto sem amor


extraído de http://vamps.blogs.sapo.pt/arquivo/283297.jpg

Escrevo isto sem pretensões amorosas,
Sem nenhuma frase digamos... Apaixonada,
Sem arroubos do coração, enfim, sem nada
Capaz de deixar essas impressões mimosas

Do amante que declama com ardor à amada.
Não! Arranquei do meu poema as rosas,
Cobri com pedras todas as frestas perigosas
Por onde pudesse surgir uma flor inesperada

E me trazer em seus botões o perigo
Iminente da paixão e com ela o risco certo
De amar e ter a desilusão como castigo

E se o poeta faz isso não é por insensatez,
Mas por ver dolorido que o peito está deserto
Querendo mais que tudo amar mais uma vez.

Francisco Libânio
18/01/09
11:55 PM