domingo, 12 de janeiro de 2014

1422 - Soneto dos quartos

Tranquilidade máxima

Meu reino, meu mundo, meu espaço
Cá escrevo, soneteio, leio, aconteço...
É aqui onde com sono eu anoiteço
E de dia vivo e me refugio e traço

Outro soneto e nele que me faço.
E por isso aqui está todo o apreço,
O pessoal ou o poético, e confesso
Tenho aqui todo meu desembaraço.

O quarto é onde se vive a intimidade
Mais plena e onde somos, de verdade,
Nós mesmos. E ainda que ocultos,

Somos no quarto um ser mais liberto,
Alma a voar de um peito mais aberto
Mesmo em nossos desejos adultos.

Francisco Libânio,
11/01/13, 1:06 PM

1421 - Soneto das cozinhas

Melhor que muita sala.

De onde saem as iguarias,
Onde nascem as receitas
Maravilhas que são feitas
E sustentam todos os dias,

A cozinha merecia regalias
Como a sala e as perfeitas
Saudações e não desfeitas
Que dão a ela. As alegrias

Mais plenas, as conversas
Em casa das mais diversas
Sempre foram na cozinha.

Na família é a sala de estar
De bate-papo e até beliscar
Um petisco que se avizinha.

Francisco Libânio,
11/01/13, 10:12 AM

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

1420 - Soneto das salas

Segura a língua!

Fazer sala é receber, seja bem,
Seja mal, mas é acompanhar
Uma visita que vem de chegar
E nenhuma novidade tem.

Se tiver é falar mal de alguém,
E sua sala vira esse lugar
De maldade empesteando o ar
E, a evitar briga, fala amém.

A sala em que fazemos sala
Vira o lugar onde um apunhala
Sem dó algum um ausente

E fazemos sala para esse tal
Que na certa falará igual mal
Em outra sala sobre a gente.

Francisco Libânio,
10/01/13, 6:32 PM

1419 - Soneto do bom almoço

Vai muito bem.

O dia de trabalho é puxado,
A manhã é daquelas feias,
Das que a jornada dá peias
E o negócio é bem celerado.

Mas soa o gongo, o agrado,
A fome correndo nas veias
E, querendo barrigas cheias,
Um prato é sempre azado.

O feijão com arroz cotidiano
Ou o prato do chef veterano
O que vier se traça e já some.

Na verdade, após essa labuta
Não há um sábio que refuta
Ser o melhor tempero a fome.

Francisco Libânio,
10/01/14, 11:55 AM

1418 - Soneto do bom café da manhã

Pra começar bem o dia.

Entendo o urso, que quando acorda
Da hibernação quer encher a barriga.
O sono, quando ele acaba, logo liga
O estômago, é preciso que se morda

Algo e uma vontade pra lá de gorda
Pede um desjejum quem assim diga
Ser. Cheiro de café coça a lombriga
E é pela manhã quando transborda

A vontade. E o café da manhã vira
O sonho, seja de rei ou o do caipira,
Café preto, leite de hora e a broa

De milho rústica. Tanta simplicidade
Ou requinte só aplaca essa vontade
Fazendo essa refeição ser tão boa.

Francisco Libânio,
10/01/14, 8:16 AM

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

1417 - soneto das comidas gostosas

Como resistir?

Os olhos veem posta a mesa farta
E o estômago, sem a ver, já delira.
Quer sua parte dali e muito suspira!
Os olhos querem dar logo a carta

De alforria ao estômago e que parta
Pra cima com fome monstra, vampira.
Os olhos escolhem, a mão logo tira
A faixa e o estômago nada descarta,

Tudo é bom, é divino, é maravilhoso!
Cada prato ali um é mais saboroso
Que o outro, carnes, molho, saladas...

A mesa, uma cena pós-guerra, conta
Mortos e feridos após tanta afronta
Com a fome e a sanha, já saciadas.

Francisco Libânio,
09/01/14, 7:16 PM

1416 - Soneto das horas com sono

Fica difícil sair algo assim.

Frente ao computador, à espera
Do soneto que não vem, busca
Etérea e, quando assim, rebusca
A palavra e passa à fase de fera,

Na verdade, acontece que impera
O sono e há uma parada brusca
Na inspiração e há grande patusca
Nas ideias. Tudo aqui se adultera,

O soneto que devia estar tinindo
Dorme feliz bem como dormindo
Queria estar o poeta, mas nada!

Esse soneto sairá, sonambulando
Que seja, mas ao meu comando
Para, ao fim, eu dar uma deitada.

Francisco Libânio,
09/01/14, 12:15 PM