sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

1419 - Soneto do bom almoço

Vai muito bem.

O dia de trabalho é puxado,
A manhã é daquelas feias,
Das que a jornada dá peias
E o negócio é bem celerado.

Mas soa o gongo, o agrado,
A fome correndo nas veias
E, querendo barrigas cheias,
Um prato é sempre azado.

O feijão com arroz cotidiano
Ou o prato do chef veterano
O que vier se traça e já some.

Na verdade, após essa labuta
Não há um sábio que refuta
Ser o melhor tempero a fome.

Francisco Libânio,
10/01/14, 11:55 AM

1418 - Soneto do bom café da manhã

Pra começar bem o dia.

Entendo o urso, que quando acorda
Da hibernação quer encher a barriga.
O sono, quando ele acaba, logo liga
O estômago, é preciso que se morda

Algo e uma vontade pra lá de gorda
Pede um desjejum quem assim diga
Ser. Cheiro de café coça a lombriga
E é pela manhã quando transborda

A vontade. E o café da manhã vira
O sonho, seja de rei ou o do caipira,
Café preto, leite de hora e a broa

De milho rústica. Tanta simplicidade
Ou requinte só aplaca essa vontade
Fazendo essa refeição ser tão boa.

Francisco Libânio,
10/01/14, 8:16 AM

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

1417 - soneto das comidas gostosas

Como resistir?

Os olhos veem posta a mesa farta
E o estômago, sem a ver, já delira.
Quer sua parte dali e muito suspira!
Os olhos querem dar logo a carta

De alforria ao estômago e que parta
Pra cima com fome monstra, vampira.
Os olhos escolhem, a mão logo tira
A faixa e o estômago nada descarta,

Tudo é bom, é divino, é maravilhoso!
Cada prato ali um é mais saboroso
Que o outro, carnes, molho, saladas...

A mesa, uma cena pós-guerra, conta
Mortos e feridos após tanta afronta
Com a fome e a sanha, já saciadas.

Francisco Libânio,
09/01/14, 7:16 PM

1416 - Soneto das horas com sono

Fica difícil sair algo assim.

Frente ao computador, à espera
Do soneto que não vem, busca
Etérea e, quando assim, rebusca
A palavra e passa à fase de fera,

Na verdade, acontece que impera
O sono e há uma parada brusca
Na inspiração e há grande patusca
Nas ideias. Tudo aqui se adultera,

O soneto que devia estar tinindo
Dorme feliz bem como dormindo
Queria estar o poeta, mas nada!

Esse soneto sairá, sonambulando
Que seja, mas ao meu comando
Para, ao fim, eu dar uma deitada.

Francisco Libânio,
09/01/14, 12:15 PM

1415 - Soneto de uma sentada 2

Lirismo na grosseria, claro que tem!

Os palavrões são censurados
Na poesia, e isso é uma pena.
Prefere-se coisa mais amena,
Negocinhos bem adocicados

Aos reais mais escalavrados,
Uma verdade crua e obscena,
Mas verdade, a coisa terrena
Que deixará demais corados

Os estetas, os poetas carolas
E os que brigam pelas escolas
Tradicionais em que a poesia

Bonita e merecedora do nome
Não parte pro chulo e dome
A boca suja como a rebeldia.

Francisco Libânio,
08/01/14, 11:02 AM

1414 - Soneto de uma sentada 1

Se prepara que vamos te macular!

Encara a folha em branco e parte
Para ela com fúria e com escrita!
Cada verso é um pedaço de brita,
Cada risco vale uma obra de arte,

Mas a folha pede para si o aparte.
Não gosta de algo e então grita,
Preferia a sua alvura tão irrestrita,
Achava-se da pureza o baluarte.

O poeta, que com o alvo não dá
Combinação, prefere deixar pra lá
E enche a folha com indiscrições.

O soneto se faz e a folha se cora,
Quer matar o poeta que a deflora
Sem romantismo, com palavrões!

Francisco Libânio,
08/01/14, 10:31 AM

1413 - Soneto das janelas

Muito mais que isso!

Uma porta para o mundo,
Um respiro numa prisão,
Um quadro vivo à visão,
Um pensamento profundo...

Nessa janela eu abundo
Em pensamento, intenção,
Nesse espaço a televisão
Em que procuro no fundo

Um soneto para meu dia,
Mas tudo aqui é poesia,
A janela é bem inspiradora.

E se isso é só uma janela,
E ela é parte de uma cela,
Imagina o mundo lá fora!

Francisco Libânio,
07/01/14, 6:07 PM