quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

670 - Soneto oito ou oitenta

Esse olhar... Nunca sei o que vem.

Ela na cama ou é beijo ou é mordida,
Chama de amor ou de filho da puta,
Seu pé ora me acaricia ora me chuta,
Olho-a. Ora satisfeita ora arrependida.

Ela transita pelos extremos da vida
Com tanta facilidade que ela executa
O melhor e o pior sem haver disputa
Prazer e ofensa sem qualquer medida,

De mim? Não sei se a quero ou não,
Não sei se espero beijo ou agressão,
Ela mandou a razoabilidade embora

Que tenho medo de me oferecer a ela,
A parte íntima. Vai beijar e vai lambê-la
Ou vai morder, arrancar e cuspir fora?

Francisco Libânio,
12/12/12, 3:38 PM

669 - Soneto dos três dozes

Só uma data, ok?

Doze do doze de dois mil e doze,
Última data ao estilo no calendário
Em que a coincidência e o arbitrário
Se juntem, e aqui há um que glose

Sem muito dizer, sem ser o virtuose
Das letras nem crente num cenário
Apocalíptico de um acaso numerário,
É uma data. O resto é pura neurose.

Como outra onzena de oportunidades,
O dia doze tem lá suas pessoalidades,
Suas notícias e seus acontecimentos

E tenho certeza que o fim do mundo,
A destruição absoluta num segundo
Não estarão hoje entre tais momentos.

Francisco Libânio,
12/12/12, 12:12 PM

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

668 - Soneto benfazejo

Pode não ser maravilhosa, mas é espetacular

Ela não era a mulher mais linda
Nem a mais gostosa nem nada
Demais. Ela sequer era notada
E às vezes ficava numa berlinda

Entre as mais feias ou ela, ainda,
Se lembrada, era logo apontada
A mais mal vestida, mal arrumada
E essa estranheza que a blinda

Foi o que atraiu num outro olhar,
Mais reparado querendo demorar
E vi lá coisas nunca antes vistas

O que fiz foi caridade? Se foi, bem!
Aquele corpo me fez bem também,
Somos, eu e ela, satisfeitos altruístas.

Francisco Libânio,
11/12/12, 1:04 PM

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

667 - Soneto do número seguinte

Deve ser assim...

Se o meia-meia-meia é o anticristo,
O meia-meia-sete, no rolo, é o quê?
Um número qualquer e sem mercê
Positiva ou negativa nem um visto.

Contrário do seu vizinho malquisto,
Ele está na contagem sem porquê
E o poeta, um desocupado que vê
Esses detalhes, segue o previsto:

Discorre sobre um número qualquer
Porque o antecessor pediu tal mister
E agora escreve com bom improviso

E ele crê que este número seja terno
Afinal se o meia-meia-meia é inferno
Diz-se que após ele chega o paraíso.

Francisco Libânio,
10/12/12, 8:03 PM

666 - Soneto do mal cabalístico

Six, six, six... The number of the Beast (melhor do que muita patuscada por aí)


Meia, meia, meia, o número da besta,
Até o Iron Maiden já falou sobre isso,
Como meu soneto poderia ser omisso
E fazer, justamente aqui, sua sesta?

Anticristo, o número desperta a festa
Absoluta e faz crer ser o compromisso
Fiel de quem a tal crença é submisso
E é besta de grafar o número na testa

Aí não é besta de diabo, mas de tonto,
De idiota. Não basta cair fácil no conto,
Tem que mostrar que é a reencarnação

Do mal. Ok, fie-se de cabeça na lenda,
Mas ciente de que essa mania horrenda
É a forma mais ridícula de ter devoção.

Francisco Libânio,
10/12/12, 6:19 PM

665 - Soneto aleatório

Às vezes, o soneto chega assim. Como quem não quer nada.


Escreve um soneto. Vá lá! Perfeito!
Hoje não tem inspiração, tudo bem!
Deixa que o soneto de pouco vem
E surpreende o poeta tão suspeito

E tão descrente que esse seu feito
Possa dar certo. Mas se até alguém
Apareceu o chamando de meu bem
Sem planejamento, pode ter efeito

Escrever e o soneto vir. E ele chega,
Pede licença, se coloca e se entrega,
Presa fácil, falta só o poeta conferir

E anotar. Mais um soneto pra conta!
Ele, como mulher que surge, apronta
Fazendo apaixonar e fazendo sorrir.

Francisco Libânio,
10/12/12, 1:09 PM

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

664 - Soneto absurdo

Flor, você precisa ir embora...


Quando eu a chamei para um pouco mais,
Obviamente havia uma maldadinha no ar
E ela bem sabia, principalmente ao aceitar
Sem perguntar nem se alongar demais

Subimos pelo elevador, pessoais normais,
Entramos no apezinho de forma elementar,
Cada um tomou sem insinuações seu lugar
E não houve malícias ou induções sexuais

Tomamos o último drinque tranquilamente,
O álcool, a conversa tornaram envolvente
O clima e ela se aproximou de mim e, tesa,

Desnudou-se e me atacou, perdeu a linha!
Houve o que houve e não foi culpa minha,
Tenho a testemunha e o prazer por defesa.

Francisco Libânio,
07/12/12, 8:14 PM