sexta-feira, 11 de abril de 2014

1599 - Soneto do gato

Se você não entende meu jeito de ser só lamento.

O gato, por ser independente,
Era tomado mal agradecido
E por ser furtivo ele era tido
Como ladrão. Era inclemente

Todo julgamento e frequente
A associação e ser recorrido
Ao termo gatuno ao bandido.
Bem o gato, bicho presente

À humanidade, quê de beleza,
Tanto divino e algo de realeza
Impingir tanta má associação.

O gato era fiel à sua maneira
Não tinha a índole prisioneira,
Era livre e disso fazia questão.

Francisco Libânio,
07/04/14, 12:13 PM

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Hai-kai qualquer 06

Alguns são eternos. Aceitem.

A Bossa Nova, gente,
Tem essa coisa dela:
Será nova eternamente.

Francisco Libânio,
10/04/14, 6:16 PM

1598 - Soneto do rato

Se eu tivesse um rabinho peludinho, a história seria outra.

O rato se sentia injustiçado.
Ele era nojento, asqueroso,
Evitado por ser contagioso,
Vivia no esgoto segregado

E o primo esquilo, adorado,
Fofinho, levado de gostoso.
Ao esquilo, o carinho, gozo.
Já a ele, só o asco ilimitado.

Talvez o esgoto, submundo,
O ambiente fétido e imundo
Fizessem-no como o diabo.

Ou provável, como o esquilo,
Que era bonitinho, tinha estilo
E pelos, seu mal fosse o rabo.

Francisco Libânio,
07/04/14, 9:14 AM

1597 - Soneto do porquinho-da-índia

Não sou  porco, não sou indiano, não sou namorada de ninguém. Me deixem!

O porquinho-da-índia, que esquisito,
Nem vinha da Índia e nem era suíno.
Marca fantasia de engano, desatino,
Mas assim estava seu nome escrito

Mudar era inútil, diria quase proscrito.
Biologia e geografia em erro cretino!
Em vez de hindu, o bicho era andino
E era um roedor, um rato mais bonito,

Não um porco de rabinho enrolado.
Mas o nome pegou, fica esse fado
De ser o que não é, grande bobeira.

Pior ainda era ser visto, por quem lia,
Namorada, mesmo que numa poesia,
Ainda que fosse do Manuel Bandeira.

Francisco Libânio,
06/04/14, 7:32 PM

quarta-feira, 9 de abril de 2014

1596 - Soneto do galo

Cai dentro!

Valente, mandão, quase tirano,
O galo dava toque de alvorada
E via-se que naquela quebrada
Quem mandava. E a cada ano,

Um frango pouco mais insano
Chamava o galo pra porrada.
A surra era feia, desmesurada,
E o novato mudava de plano,

O galo seguia sendo campeão,
Dono do galinheiro, o machão
Com harém sempre ao dispor.

Mas o poder falou muito alto,
O galo subiu demais no salto
E foi servido cozido no vapor.

Francisco Libânio,
06/04/14, 1:03 PM

1595 - Soneto do carneiro

Não é fácil no verão, mas...

Envolto em lã, casaco natural,
O carneiro em dia quente sofria,
Terrível era o sol que se fazia,
Sortilégios de um país tropical.

E mesmo estando mais austral,
Em clima temperado, tinha dia
Que o calor de boa se excedia
E o casaco era castigo infernal.

E a alegria vinha ao sentir vento,
Inverno chegando, que momento!
Enfim o tempo mais a seu feitio.

Enfim o casaco tem razão de ser,
Até o homem o tosquiar e sofrer
Como era no calor e pior no frio.

Francisco Libânio,
06/04/14, 9:49 AM

terça-feira, 8 de abril de 2014

1594 - Soneto do bode

Vai continuar me achando o capeta?

Para quem via como o diabo,
Ou bicho diabólico, o bode
Mais levava o tipo a pagode,
Pois se em fé ele era nababo,

O sujeito dava o maior cabo
Na inteligência. Era o sacode
No tal ver que nenhuma ode
Do mal fazia crescer o rabo

Ou dava dons sobrenaturais.
O bode achava bom demais
Inspirar tanta mente fecunda.

Assim se fazia algo respeitado
Além da barba. Se o resultado
Não viesse, era chifre na bunda.

Francisco Libânio,
05/04/14, 7:41 PM