sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

1436 - Soneto com filosofia

Sócrates seria um bom poeta, eu acho.

Reflexão que se faz, inspiração
Que se procura para um soneto
A tirá-lo de si e fazê-lo concreto
Merece a filosófica comparação:

O poeta procura com a atenção
Dos filósofos e tanto irrequieto
Um porquê, um sentido secreto
Para por no papel sua reflexão.

Quando escrevo, quero porquê,
Ver aquilo que só o filósofo vê,
Só que nunca manjei a filosofia

E em ser poeta eu engano bem,
Mas admito, não sei viver sem
Filosofar bobagem ou poesia.

Francisco Libânio,
17/01/14, 12:40 PM

1435 - Soneto com savoir-faire

Ou pode ser considerado um craque por meio mundo e passar vexame.

Fala que sabe, detona, é o pica,
Que é o fodão, o boss, o cara,
Que com ele nada se compara
E praticamente ele se beatifica

Com uma arrogância impudica
Dizendo ter uma sabedoria rara,
Mas quando súbito se depara
Com um problema que a cuíca

Muda o tom, some a gabolice,
Fica no papo tudo o que disse
E quem se dizia pica já broxa.

Aí da estátua tomba o general,
E de um gênio do tipo maioral
Vira o doutor chato de galocha.

Francisco Libânio,
16/01/14, 7:01 PM

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

1434 - Soneto com feeling

Tudo pode acontecer

Há coisas que estão pelo ar,
Inspirações mil acontecendo,
Para o verso ruim, o remendo
Para poder pôr tudo no lugar,

Bastar prestar atenção, captar
Vibrações e tudo é estupendo.
Diz-se como o povo, “tá tendo”
E está mesmo. Basta observar.

O poeta, enquanto aqui soneteia,
Cheira que o mundo presenteia
Com oportunidades a escolher,

As dele, alguém que faça uso.
Ser poeta pede algo de recluso,
Mas sem do mundo se perder.

Francisco Libânio,
16/01/14, 12:24 PM

1433 - Soneto com pouco recurso

Augusto dos Anjos, um poeta de recursos infindos.

Querer do poeta uma rima rica
Quando o dinheiro dele é curto
É mais que absurdo, é o surto
Dos que não soneteiam nadica

E ficam a fim do que sofistica,
Mas quanto à rima, não me furto
A fazê-la correta e até encurto
Um verso que a torto metrifica,

Mas a rima, seja rica ou pobre,
Ela eu faço que aqui se dobre
E rime sem qualquer distinção

De estrato poético nem social,
Não fica clássico ou tão legal,
Mas a rima faço com precisão.

Francisco Libânio,
15/01/14, 7:48 PM

1432 - soneto com hora marcada

Já cheguei... Falta a inspiração.

É preciso chegar a tempo, corra!
Tudo contado sem permitir atraso,
Hora certinha como fosse o vaso
Chinês dos sonetos toda a zorra.

É preciso que nada errado ocorra,
Que o imprevisto não faça caso,
Tudo se atenha ao maldito prazo
E se tiver que morrer, que morra!

Este soneto, escrito ao meio dia,
Durante folga, uma breve alforria
Do poeta, que luta por uma vaga

Em concurso. Relaxamento lírico
Em que da prisão voa ao onírico
Onde o relógio menos o esmaga.

Francisco Libânio,
15/01/14, 12:11 PM

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

1431 - Soneto com segurança

Segurança é bom, mas assim já é demais.

Precaução não faz mal a ninguém
Cuidado é um materno conselho
E nunca morrerá nem será velho
Por isso é mais seguro quem tem

Esse dito guardado, pois mantém
Sua direita, não mete o bedelho
Em assunto alheio e o vermelho
Da vergonha se toca e não vem.

Mas ser seguro não é ser medroso
Nem se curvar ante o perigoso.
A coragem reforça a segurança

E a segurança guarda a coragem,
Assim, que se deixe de viadagem
E siga em frente e forte a andança.

Francisco Libânio,
15/01/14, 8:00 AM

1430 - Soneto com rótulo

Sempre levaremos um nome...

Se você é gay é pecado
E indeciso se bissexual;
Se usa droga é marginal
E se bebe é descolado.

Se é gordo é esganado,
Se for magro é terminal,
Se sincero é um boçal
Se cioso é dissimulado.

Sempre o cristão é algo
Seja o pobre ou o fidalgo
É preciso que se defina,

Um nome ou um apelido,
Um quê a ser conhecido,
A vir de uma mente ferina.

Francisco Libânio,
14/01/14, 12:10 PM