segunda-feira, 4 de junho de 2012

0177 - Soneto para Conceição do Cauby Peixoto


Viver no morro a sonhar com o que lá não tem
É acentuar desejos e não ter por eles um limite,
É ser capaz de tudo de bom ou mau pelo apetite
Já que nessa ânsia não se divisa o mal do bem,

Foi o que aconteceu com Conceição, um alguém
Cujo sonho de ter o não tido fez ceder ao convite
De sair do morro e descer para onde estaria a elite,
Eis que outro alguém lhe diz isso e ela disse amém

Por diante, sobre ela ninguém sabe nem viu nada,
Se subiu, se desceu, onde está. Sabe-se mudada
De nome. O convite foi uma peça. Tudo decepção!

Tentando a subida, ela desceu a pior que era o morro,
Vive uma vida desflorada, triste sem algum socorro
E daria tudo o que tinha e mais para ser Conceição.

Francisco Libânio,
04/06/12, 12:35 PM

0176 - Soneto para Bárbara de Chico Buarque


Como se não bastasse ter um eu feminino
Completo e sensível, porque só uma mulher
Diria tudo o que ele disse ou ainda entender
O que há dentro delas, ele ainda foi cristalino

Ao decifrar o amor e ilustrar o desejo fescenino
Que uma mulher sentia por outra, esse prazer,
À época proibido, da que buscava se entreter
Nos braços da amante num delicioso desatino

E deixa-las ceder à tentação das bocas cruas
Mergulhando no poço escuro que é só das duas...
Quando um homem diria assim tão poético

Do fogo diferente do homem que é das mulheres?
Eis Bárbara, viúva apaixonante e de prazeres
Descrita plenamente de modo discreto e sintético.

Francisco Libânio,
03/06/12, 1:23 PM

domingo, 3 de junho de 2012

0175 - Soneto para Kátia Flavia do Fausto Fawcett


Topasse com Kátia Flávia na rua sentiria medo,
Tesão, vontade de gritar, vontade de me deixar
Ser vítima. Se ela matou um figurão me matar
Seria café pequeno. Facim dela sentar o dedo

No gatilho, eu virar presunto e ela curtir degredo
De luxo em Copa ou no Leblon de pernas pro ar,
De calcinha bélica (o que é isso? Pode explicar?)
E não fazendo do seu paradeiro nenhum segredo

Depois, ela pediria uma pizza e ligaria pra polícia
E para quem mais quisesse saber. Ama ser notícia
Desde os idos tempos a cavalo nas noites do Irajá

Doida, mas quem não gostaria de chamar de sua
Uma gostosona belzebu que anda por aí toda nua?
Duvido que ninguém e se alguém disser “eu” mentirá.

Francisco Libânio,
03/06/12, 12:11 PM

0174 - Soneto para a Diana de Carlos Gonzaga


E da letra original do já imortal Paul Anka
Fez-se uma versão, grande especialidade
Da turma da Jovem Guarda, sem maldade
Nem malícia. Meio boba, mas que arranca

Suspiros dos brotos daquela época branca,
Mas as Dianas, a de lá, mulher já de idade
E a de cá, que interpreto viver sua mocidade
São musas que despertam a paixão franca

Nos corações do letrista e de quem a verteu
Para os daquele tempo enquanto agora eu,
Ignorante da versão original, ouço a fulana

Em inglês na voz deliciosa do eterno bardo
Oldie de outras pérolas e com esse petardo
Empolgo repetindo o fim Oh, please, Diana.

Francisco Libânio,
03/06/12, 11:35 AM

0173 - Soneto para Iolanda de Chico Buarque


Não conheço declaração de amor maior
Do que a que o cubano fez e foi vertida
Genialmente pelo Chico Buarque. A vida
Não acaba com a falta, mas muito melhor

Morrer com quem se ama. Fosse de amor
Como se queria, seria a mais bem esculpida
Declaração (como não fosse) e a mais polida
Canção de amor, mas respeitemos o autor

E quem trouxe essa pérola a nosso idioma,
Joia que ao mestre Chico mais ainda soma,
E faz do já genial um mais que excelente

Autor em cima de obras que não são dele
E, mesmo sem ser de amor, põe à flor da pele
O amor que se sente por Iolanda eternamente.

Francisco Libânio,
03/06/12, 11:04 AM

0172 - Soneto para a Luíza de Tom Jobim


E eu que sou apenas um pobre amador,
Como escreverei um soneto para Luíza?
Como escrever de forma una e precisa
Um soneto que lhe valha o devido louvor?

Para tanto, é preciso ser bom trovador
Que à redonda lua e às estrelas cá divisa
Ao tempo que se lembra dela e improvisa
Versos sendo eterno aprendiz do amor

Eu peço à Luiza que me dê sua mão
E que se lembre que existe um coração
Debaixo dessa neve e que está a bater

Peço-te da tua um boca um doce beijo,
Sabes que teu desejo é meu desejo
Por mais que eu escreva pra te esquecer.

Francisco Libânio,
02/06/12, 1:10 PM

0171 - Soneto para a Beatriz de Edu Lobo


Será que ela é moça, é triste ou o contrário?
Será que ela é louça, é de éter, é loucura?
Será que ela é estrela, quanto tempo dura?
Será que ela é tudo isso ou será o cenário?

Tantas perguntas e para ela um comentário
Apenas. Será que ela é moça, que é pintura?
E se ela cair do arranha-céu, de lá da altura?
Ela, que é uma mulher a cada um vestuário,

Ela, que é casa, que é vida e é rosto da atriz,
Oh, leva para sempre e ensina, Beatriz
Como se faz para andar com os pés no chão

Se ela despencar do céu, ela estará perdida?
Se pudesse mais que entrar, ficar na sua vida
E viver de morador nesse teu lindo coração.

Francisco Libânio,
02/06/11, 11:33 AM