sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

1473 - Soneto com novidades

Algo está por vir...

Quando tudo que já se tem nos enjoa
É preciso algo que dê oxigênio novo.
Quando é comigo, tento ver se movo
Para ver se o novo chega e cá povoa.

O problema é: O novo a vir é coisa boa?
Se for, experimento e de cara comprovo.
Ainda que a novidade desgoste o povo
Ao meu gosto, ela merecerá a minha loa.

Agora se for furada, já percebo na saída,
Nem arrisco e assumo a chance perdida,
Quem achar ruim que curta no meu lugar.

Mas admito que eu sou um bom cagão,
A novidade, por isso, nem faz atenção,
Se a chamo acha que estou a gracejar.

Francisco Libânio,
03/02/14, 7:57 PM

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

1472 - soneto com os pés mortos

Né fácil não...

Caminhada faz bem, concordo,
No meu caso me faz a limpeza
Inspiradora que traz uma leveza
E traz algo que já não recordo.

Durante a caminhada eu acordo
De vez, contemplo toda a beleza
Do mundo lá fora e tenho certeza:
Canso fácil. Estou mesmo gordo!

Mas ainda gordo, sigo o caminho.
Meu trajeto, tento suar o daninho
Excesso de gordura que faz parte

Do poeta, esse já semi-sedentário
Que bem morto, mas é beneficiário
E faz do bem-comer tipo de arte.

Francisco Libânio,
03/03/14, 11:56 AM

1471 - Soneto com fome depois do almoço

Só pra enganar o estômago...

Após o almoço, uma lauta refeição,
Em família, o churrasco caprichado,
Praticamente de estômago forrado,
Tudo que viria de bom, um colchão,

A sesta para acalmar a inquietação
Estomacal, mas há algo de errado.
O estômago, estando superlotado,
Não matou a fome que, de tentação,

Induz a uma visitinha à geladeira
Para uma prática sutil e sorrateira
De beliscar a delícia que apareça.

Fome essa sem hora nem espaço,
Manda fazer bobagem e eu a faço
Já satisfeito, como mais e à beça.

Francisco Libânio,
02/02/14, 2:14 PM

1470 - Soneto com dor na consciência

Perdeu a chance, irmão. Já era.

Podia ter feito, podia acontecer,
Mas aí bate a culpa, bate aquela
Sensação que logo nos cancela
Desejos e faz muito mais temer

Que aproveitar o que dá prazer.
É horrível o excesso de cautela,
O medo de sofrer uma mazela,
A desconfiança com a mulher

Que pode ser sua companheira,
Sua cúmplice pela vida inteira
E você a deixa sem um motivo

Plausível. Talvez por ter medo,
Pela insegurança com o enredo
Ou por ser o maior safado vivo.

Francisco Libânio,
02/02/14, 9:01 AM

1469 - Soneto com algo estranho

Quiabo já é demais!

Quando dá aqueles desejos esquisitos,
Tipo comer arroz doce e quiabo, saca?
Só que não é arroz doce que te ataca
Nem quiabo nesses desejos malditos.

Mas bate o desejo que te dá faniquitos,
Coisa que aflige a carne, que já é fraca,
E põe um cara meio que com a macaca
Já que os nervos também ficam aflitos.

Você não sabe o que é, não se explica,
Mas o negócio bate e demora se fica.
Quando acontece, o que o poeta faz?

Não faz nada, mas ao desejo não cede.
Põe o bicho com fome contra à parede
E ele foge e deixa esse poeta em paz.

Francisco Libânio,
01/02/14, 2:35 PM

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

1468 - Soneto com beijo masculino

No domingo, muitas famílias deveriam ter sido arruinadas e Deus estar morto. Não aconteceu nada disso.

Olha o bafo que rolou na novela!
Dois homens beijaram. O pecado!
Subversão, o mundo está virado
E agora qualquer coisa aí dá trela,

É defesa a isso sem mais aquela.
Parece que nos mandam ser viado...
Dizia um tiozinho lá todo alterado
Mas a gíria antes dita era chancela:

Bafo? Quem fala bafo é entendido,
É homem que procura um marido
E vem ele agora com lição de moral!

Sei que o beijo o deixou tanto feliz,
Mas à noite com a família, ele quis
Mostrar que ele nunca fez algo igual.

Francisco Libânio,
01/02/14, 9:23 AM

1467 - Soneto com possibilidade de consideração

Vale a pena, será?

Gostar de uma pessoa é tranquilo,
Tê-la entre os preferidos também,
Agora que ela seja amiga, é bem
Mais difícil. Não é porque afunilo

Em amizades, mas esse tal pupilo,
Esse “amigando”, será que ele tem
Virtudes de amigo? Ou vai ele além
Do tapinha nas costas que, a quilo,

Recebo dos mais variados amigos
E não quero mais um aos perigos
A que tenho que emprestar atenção,

Tratar educado quando eu queria
Descer porrada. Por isso se avalia
Bem, pois tá no limite a educação.

Francisco Libânio,
31/01/14, 6:40 PM