segunda-feira, 3 de março de 2014

1526 - Soneto do serpentário

Renda-se e aceite a derrota!

O serpentário, ave com cara de boba,
De boba tinha só a cara. Era durona,
Enfrentava no peito cobras e na lona
Punha as danadas. Com elas, o soba,

O rei da parada era ele. Sem oba-oba,
O serpentário era a ave mais brigona,
Fazia das serpentes rango e, glutona,
Uma não bastava. Mas de tão proba,

A ave, na luta, era honesta e correta.
E se a serpente jogava sujo, a dileta
Ave lutava na limpa e batia a trapaça

Do oponente. O estômago tinha brio,
Vencer na desonestidade dava fastio,
Por isso a dignidade durante a caça.

Francisco Libânio,
02/03/14, 3:51 PM

1525 - Soneto da gazela

Vem que agora sou  faixa preta!

A gazela olhava para os lados
E tudo o que via era predador:
Leão, leopardo, hiena e só dor,
Vida estressante e só cuidados.

E atrás de analistas renomados
Que entendiam todo esse temor,
Mas na falta de conselho melhor,
Pediam instantes mais agrupados,

Confiar em sua espécie. Simbiose?
Até ia bem contra alguma neurose,
Mas no salva-quem-pode, viria mal.

E cansada de viver cheia de medo,
A gazela, pra enfrentar esse azedo
Dia-a-dia, aprendeu uma arte marcial.

Francisco Libânio,
01/03/14, 3:16 PM

domingo, 2 de março de 2014

1524 - Soneto do feneco

Rola um gafanhoto?

O feneco, a raposa do deserto,
Nanico e todo desproporcional,
Orelhonas num corpinho, o tal
Animalzinho era muito esperto.

Viver na areia, alimento incerto,
Pouco, ali era só refeição frugal,
Insetos, lagartos e algo vegetal,
O que se achasse nesse aberto

Espaço desértico era ao nanico
Rango do mais saboroso e rico,
E quando lhe deram o banquete,

Frutas, água mais carnes várias,
O feneco gostou das culinárias,
Mas preferia uma larva no rolete.

Francisco Libânio,
28/02/14, 6:37 PM

1523 - Soneto do chacal

Então esse é o Carlos, o Chacal? Deixa eu levar um lero com ele.

O chacal, um cachorro do mato
Africano, soube que o terrorista
Mais fodão que já teve na vista
O mundo, crueldade sem recato,

Homem que pratica assassinato
Frio; tipo sanguinário e calculista,
Agora preso e não mais na pista
Para praticar crimes. De imediato,

Quis o chacal conhecer seu xará
E saber desse epíteto no crachá,
Carlos, o Chacal, e tão profunda

Era a curiosidade que, satisfeita,
O chacal a tal comparação rejeita
E responde mordendo a bunda!

Francisco Libânio,
28/02/14, 12:34 PM

sábado, 1 de março de 2014

Poema de fuga 11

Mais um verso!

Time de futebol
Onze jogadores
Verso solto assim,
Canteiro de flores,
Cada uma,
Um gol.

Francisco Libânio,
30/12/13, 10:39 PM

1522 - Soneto da hiena

Hahahahahaha, essa foi boa! Não foi?

A hiena, um dia, prestou atenção
E viu em tudo que falava a graça,
De tudo ela ria ou achava massa.
Tudo era uma tremenda gozação.

E foi ela se meter a ser a atração,
Resolveu fazer stand-up na praça,
Mas a risada da turma foi escassa.
A hiena tentou remediar a situação,

Mandou uma piada vulgar e suja,
Peso do elefante, olho da coruja,
Aí a vaia foi o recurso a se usar.

Pobre hiena! Ri de tudo, mas dela
Ninguém ri e agora nem a trela
De humorista ela pode mais bancar.

Francisco Libânio,
27/02/14, 12:26 PM

1521 - Soneto do mabeco

Aê, moçada, esse é do nosso amigo doente lá, hein?

O mabeco caçava em bando
E em turma se fazia o valente.
Tocaiava presas e, frequente,
Elas eram maiores. Quando

Um não podia caçar ficando
Para trás ou por estar doente
Ou ferido, ao convalescente
O grupo trazia caça em brando

E solidário gesto. A valentia
Tinha espaço pra filantropia
E os bichos admiravam isso.

Menos a caça, que a ser pasto
Em ato bondoso, mas nefasto,
Preferia o egoísmo insubmisso.

Francisco Libânio,
26/02/14, 1:12 PM