domingo, 9 de fevereiro de 2014

1480 - Soneto com demonstração

E não se esqueça mais.

Este para algo que está perto
E esse se isso estiver o tanto
Mais longe, só que, entretanto,
Está com quem fala. O acerto

Se faz com a pessoa, é o certo.
Este e esse e lá no outro canto,
Longe, o aquele dá seu encanto
Afastado, longe só que esperto.

Este, esse, aquele e as pessoas;
Isto, isso, aquilo com dicas boas
Pra demonstrar esse tal pronome

Demonstrativo. Um soneto a mais,
Sem tema, mas de macetes legais
Para um negócio que fácil some.

Francisco Libânio,
07/02/14, 9:48 AM

1479 - Soneto com seu devido momento

Hoje tá difícil!

Este instante em que escrevo
Outro soneto, a hora é só dele,
A atenção. Deixo que modele
Um ao outro com o bom relevo

Que merecem. Eu apenas levo
Um ao outro e aí que se revele
Recíproco o tal negócio de pele
Sem ter pele. Faz-se o enlevo,

Casam-se comungando bens
E é quando dou os parabéns
Pelo feliz e propício consórcio.

Mas este aqui, já vi tudo. Veio,
A identificação foi um pau feio.
Na lua-de-mel se deu o divórcio.

Francisco Libânio,
07/02/14, 9:09 AM

1478 - Soneto com qualquer coisa

Nem vem!

O dia amanheceu quente, um calor
Horrível, insuportável, coisa doída!
Qualquer coisa a fazer será renhida,
O sol não deixa a nenhum dispor.

Escrever, a gente escreve com suor,
E é literal. Espera-se uma arrefecida
Na quentura, mas cada gota caída
De suado e cada baforada fica pior.

Querer um tema ao soneto é exigir
Demais. Não basta o clima a frigir?
Seja ele o tema e não se fala mais!

Até porque chamego, colo, abraço
Nesse calor é mais trocar mormaço
E eles seriam, assim, muito brutais.

Francisco Libânio,
06/02/14, 12:08 PM

1477 - Soneto com medo de escrever

Um vai vencer.

Sento-me para mais um soneto,
Na verdade, duelo a valer a vida.
O soneto dá a primeira investida
Um golpe certeiro com quarteto.

Acerta, mas assimilo e lhe meto
Outro quarteto. Guarda distraída,
Acerto também. A ideia atingida,
No entanto, em muito eu excreto

Inspirações. Um terceto me pega
E é esse golpe que me sossega.
Faço dele trampolim para a vitória.

Mando à merda o soneto. Tema?
Ele mesmo e esse seu problema
Em não contar com ideia aleatória.

Francisco Libânio,
05/02/14, 6:35 PM

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

1476 - Soneto com saia no calor

Protestar com bom humor. Olha aí como se faz.

Num começo de ano tão quente
E com o uso de bermuda vetado,
Um rapaz acha o jeito bem azado
De driblar a interdição no batente.

Já que bermuda não pode, o ente
Veste uma saia, o que é tolerado,
E ele, sem ser escocês ou viado,
Deu seu recado bom e irreverente.

Porque mulher pode ir de bermuda,
De saia e homem não? Que muda?
As pernas delas são mais bonitas,

Eu sei, mas num ambiente laboral,
É preciso ser razoável e racional
E, no calor, ter igualdades irrestritas.

Francisco Libânio,
05/02/14, 10:37 AM

1475 - Soneto com tesão

Quando vem ninguém segura!

Difícil é manter ileso
Nosso lado racional
Se a malícia toma tal
Hora, ataca em peso,

Induz, põe tudo teso.
Como ocultar o fatal
E muito faminto pau,
Dizer que tá defeso

Esse manifesto claro
Do mais sujo descaro,
Que aqui não é motel!

O desejo refreia e dói
E a luxúria nos corrói
Nesse geena dita céu.

Francisco Libânio,
04/02/14, 12:31 PM

1474 - Soneto com um pé no samba

Problema com ela nenhum. Agora com você...

Por que essa coisa quanto a cor
Se me veem com moça mulata
Ou negra? Vem um e já empata
Metido a querer ser o historiador,

O sociólogo ou, pior, o censor.
Não dou papo. Se der, é batata!
Vai rolar uma continuação chata
Após um dito que é conciliador,

Pessoa tem nada de preconceito,
Mas casal misto não lhe dá jeito
De agradar. Pois que ela se dane.

Curto a cor, mas curto a mulher,
E a pessoa que fale que quiser
E que seu julgamento dê pane.

Francisco Libânio,
04/02/14, 8:45 AM