sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

1476 - Soneto com saia no calor

Protestar com bom humor. Olha aí como se faz.

Num começo de ano tão quente
E com o uso de bermuda vetado,
Um rapaz acha o jeito bem azado
De driblar a interdição no batente.

Já que bermuda não pode, o ente
Veste uma saia, o que é tolerado,
E ele, sem ser escocês ou viado,
Deu seu recado bom e irreverente.

Porque mulher pode ir de bermuda,
De saia e homem não? Que muda?
As pernas delas são mais bonitas,

Eu sei, mas num ambiente laboral,
É preciso ser razoável e racional
E, no calor, ter igualdades irrestritas.

Francisco Libânio,
05/02/14, 10:37 AM

1475 - Soneto com tesão

Quando vem ninguém segura!

Difícil é manter ileso
Nosso lado racional
Se a malícia toma tal
Hora, ataca em peso,

Induz, põe tudo teso.
Como ocultar o fatal
E muito faminto pau,
Dizer que tá defeso

Esse manifesto claro
Do mais sujo descaro,
Que aqui não é motel!

O desejo refreia e dói
E a luxúria nos corrói
Nesse geena dita céu.

Francisco Libânio,
04/02/14, 12:31 PM

1474 - Soneto com um pé no samba

Problema com ela nenhum. Agora com você...

Por que essa coisa quanto a cor
Se me veem com moça mulata
Ou negra? Vem um e já empata
Metido a querer ser o historiador,

O sociólogo ou, pior, o censor.
Não dou papo. Se der, é batata!
Vai rolar uma continuação chata
Após um dito que é conciliador,

Pessoa tem nada de preconceito,
Mas casal misto não lhe dá jeito
De agradar. Pois que ela se dane.

Curto a cor, mas curto a mulher,
E a pessoa que fale que quiser
E que seu julgamento dê pane.

Francisco Libânio,
04/02/14, 8:45 AM

1473 - Soneto com novidades

Algo está por vir...

Quando tudo que já se tem nos enjoa
É preciso algo que dê oxigênio novo.
Quando é comigo, tento ver se movo
Para ver se o novo chega e cá povoa.

O problema é: O novo a vir é coisa boa?
Se for, experimento e de cara comprovo.
Ainda que a novidade desgoste o povo
Ao meu gosto, ela merecerá a minha loa.

Agora se for furada, já percebo na saída,
Nem arrisco e assumo a chance perdida,
Quem achar ruim que curta no meu lugar.

Mas admito que eu sou um bom cagão,
A novidade, por isso, nem faz atenção,
Se a chamo acha que estou a gracejar.

Francisco Libânio,
03/02/14, 7:57 PM

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

1472 - soneto com os pés mortos

Né fácil não...

Caminhada faz bem, concordo,
No meu caso me faz a limpeza
Inspiradora que traz uma leveza
E traz algo que já não recordo.

Durante a caminhada eu acordo
De vez, contemplo toda a beleza
Do mundo lá fora e tenho certeza:
Canso fácil. Estou mesmo gordo!

Mas ainda gordo, sigo o caminho.
Meu trajeto, tento suar o daninho
Excesso de gordura que faz parte

Do poeta, esse já semi-sedentário
Que bem morto, mas é beneficiário
E faz do bem-comer tipo de arte.

Francisco Libânio,
03/03/14, 11:56 AM

1471 - Soneto com fome depois do almoço

Só pra enganar o estômago...

Após o almoço, uma lauta refeição,
Em família, o churrasco caprichado,
Praticamente de estômago forrado,
Tudo que viria de bom, um colchão,

A sesta para acalmar a inquietação
Estomacal, mas há algo de errado.
O estômago, estando superlotado,
Não matou a fome que, de tentação,

Induz a uma visitinha à geladeira
Para uma prática sutil e sorrateira
De beliscar a delícia que apareça.

Fome essa sem hora nem espaço,
Manda fazer bobagem e eu a faço
Já satisfeito, como mais e à beça.

Francisco Libânio,
02/02/14, 2:14 PM

1470 - Soneto com dor na consciência

Perdeu a chance, irmão. Já era.

Podia ter feito, podia acontecer,
Mas aí bate a culpa, bate aquela
Sensação que logo nos cancela
Desejos e faz muito mais temer

Que aproveitar o que dá prazer.
É horrível o excesso de cautela,
O medo de sofrer uma mazela,
A desconfiança com a mulher

Que pode ser sua companheira,
Sua cúmplice pela vida inteira
E você a deixa sem um motivo

Plausível. Talvez por ter medo,
Pela insegurança com o enredo
Ou por ser o maior safado vivo.

Francisco Libânio,
02/02/14, 9:01 AM