quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

1412 - Soneto das paredes

Não é o que parece

Dizem, as paredes têm ouvidos.
Cuidado, pois com o que fala,
Se suspeita, cifra a não decifra-la
Põe nela uns tons mais ruídos,

Às paredes façam despercebidos
Detalhes, comentários com gala,
A sua alegria incontida logo a cala,
Há todos, nas paredes, os sentidos

E eles são espertos e maldosos!
Uma alegria assim cheia de gozos
É motivo suficiente pra tramoia

Ou se você crê que parede escuta,
Cuidado, ou você vence essa luta
Ou cede a isso e à sua paranoia!

Francisco Libânio,
07/01/13, 4:00 PM

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

1411 - Soneto dos temas repetidos

Andy wahrol repetia mudando cores. E daí?

Falo de política, de sociedade,
Injustiça, mulher gorda, peituda
Hora ou outra, a porrada aguda,
Hora ou outra, alguma futilidade.

Mas aí chegou tal quantidade
Que o tédio meio se desnuda
E um reclama “Isso não muda?”
Cobrando a diária originalidade,

Oras, esse reclamão, por acaso,
Seguindo dessa crítica igual azo
Come todo dia negócio diferente?

Ou repete lá seu feijão com arroz
Na semana puxada e tão atroz
Que o igual termina até atraente?

Francisco Libânio,
06/01/14, 6:55 PM

1410 - Soneto dos dias sem soneto

De boas aqui... Depois escrevo.

E se passo um dia sem escrever,
Alguém no íntimo pergunta assim:
Acabou inspiração? Está no fim
Seu lado poeta? Nada para se ler,

Inspirar? Tá te faltando a mulher?
Ainda bem, pois seu estilo é ruim!
Oras, se o poema não vier a mim,
Não irei até ele voltando a bater,

A punir. Ele merece um descanso
E eu também. Um dia de balanço
Não é rompimento, é só a pausa

Para que o poeta bem se revigore
E que, do nada, um poema arvore
Sem ter pressão ou alguma causa.

Francisco Libânio,
06/01/13, 12:54 PM

1409 - Soneto das portas

Burro é você!

Ser burro como uma porta
Ofende? À porta é que não.
Ela pode não ter graduação,
Doutorado e isso importa?

Ela vive em paz e absorta
No abrir e fechar, situação
Cotidiana e não abre mão,
Pois isso muito a conforta.

E ela é burra? Tem que ver.
Quanto sabe quem a dizer
A critica? Cadê o diploma?

Por que vem tirar essa paz,
Essa tranquilidade que jaz
Falando o monte de broma?

Francisco Libânio,
06/01/14, 11:19 AM

sábado, 4 de janeiro de 2014

1408 - Soneto das luzes

Era questão de dar o on.

A luz estava ali, escondida,
E iluminava sem ser vista,
Nem se imaginava na lista
De necessidades. Sua vida

Até então era obscurecida,
E aí uma ideia imprevista
De um determinado artista
Pôs a luz numa nova lida.

Fiat lux e a luz foi acesa
E não criada como reza
A lenda já que ela existia,

Só não tinha um serviço.
Agora ela dividia o viço
Do seu ser durante o dia.

Francisco Libânio,
04/01/13, 3:21 PM

1407 - Soneto do chão

Duro, rústico, mas não vive sem ele...

Do chão não se passa e se passa
É porque nele não se pisará mais,
Sete palmos de terra serão finais
E do chão para cima fica a massa

A chorar, mas esse chão perpassa
Morte e vida e as histórias banais
Em que figura já que os principais
Nem notam e chão, linhas gerais,

Também pouco fala, só é pisado
E ouve por chiste o tal brocado
De dele não se passar. Ingratidão!

Ele que dá frutos desde que existe,
Oferece caminhos e na hora triste
Acomoda e só o vem de alçapão!

Francisco Libânio,
04/01/14, 12:47 PM

1406 - Soneto das mesas

Mil e uma utilidades, meu irmão.

Essa mesa à qual me sento
Na cozinha para o almoço,
O jantar ou onde me coço,
À da sala, em dado momento

É um simpático elemento
A da mobília sem alvoroço,
E tão utilitário é esse troço
Que ela ampara o alimento

Na cozinha e na sala enfeita
O espaço em mais perfeita
Comunhão e pode, ela, ainda

Ser a rota para algum desejo
Que não espera, no lampejo,
E na mesa mesmo se deslinda.

Francisco Libânio,
04/01/13, 11:19 AM