sábado, 20 de abril de 2013

968 - Soneto do soneto vicioso

Não posso perder essa ideia...

Problema aqui é: após um soneto
Vem outro e um outro em seguida.
Já eu paro. Não! É frase descabida!
Soneteio da forma como eu injeto

Um troço na veia ou bebesse direto.
O soneto é a compulsão assumida,
Sorte que interfere menos na vida
E por isso ainda não me dei veto

Nem procurei qualquer tratamento
Desintoxicante. Sigo aqui e adiante
Obrigado pondo pra dentro lirismo

E tendo a cada tragada um prazer
Ora passageiro ora duradouro. E ler
Depois só aumenta o consumismo.

Francisco Libânio,
20/04/13 10:43 AM

967 - Soneto do soneto prazeroso

Tão gostoso quanto...

Mas por mais que escrever seja foda
E exija tempo, paciência e inspiração;
Mote, lirismo, repertório e dedicação
Além dos dribles ao fácil e à moda,

Escrever é o que movimenta a roda,
Refresca o dia, exercita a imaginação
E ainda me dá como congratulação
Um riso ou outro aqui se acomoda.

É pouco, não rende fama ou grana,
Mas se faz poeta, ou nisso engana,
É um lazer que me traz algum bem.

Não é um prazer sexual. Até chega
Perto às vezes, mas nada me nega
E posso, no soneto, transar também.

Francisco Libânio,
20/04/13, 9:48 AM

sexta-feira, 19 de abril de 2013

966 - Soneto do soneto obrigado

Preso e escrevendo.

É que às vezes ponho uma cota,
Digamos quatro sonetos por dia.
Quero sento, mas aí não se alia
A vontade com a ideia. E brota

Nada. Se brota morre, se enxota.
Aperto e sai um com tal agonia
Que resigno: Hoje tem carestia
Admita-se assim, nossa derrota.

Mas não... Ao menos dois sonetos
O dia deve me legar completos.
Peleio. O vazio não me vencerá,

Farei esses sonetos na porrada!
Não sei se ficará bom, mas nada,
Nada, melhor que nada isso será!

Francisco Libânio,
19/04/13, 4:56 PM

965 - Soneto monocular

O meu não funciona muito bem...

Eu estou legalmente cego
É o que diz meu oculista.
Não duvido. Que eu insista
Em ver longe nada pego.

E os óculos que carrego
Ajudam. Mas de otimista
Nada tenho sobre a vista,
Só na caça de emprego

Que enxergar menos ajuda.
Assim, Chico, vê se estuda
E um concurso pode rolar.

Mas se sou cego legalmente,
Vejo pouco e perfeitamente.
Ninguém vai vir me enrolar.

Francisco Libânio,
19/04/13, 12:15 PM

964- Soneto indiado

Parabéns pelo quê?

Moleque pinta a cara na escola,
Festeja o Dia do Índio de cocar,
Um arco e flecha a incrementar
E uns penachos juntos à cola.

Cresce assim e vira rapazola,
O índio, pra ele, fica no lugar
Da escolinha, pra se recordar
E agora não dá a menor bola.

Índio é vagabundo e atrasado,
Vive na selva e vive amparado
Pelos impostos, o seu afogo.

E ainda acha que tem direito.
Pra ele, índio só tem um jeito:
Viu um na rua? Ateia-lhe fogo!

Francisco Libânio,
19/04/13, 10:44 AM

963 - Sonet expeditino

Aqui é trabalho!

A Expedito a glória alcançada!
E o santo, um Hércules cristão,
Mais de doze, em seu galardão,
Trabalhos conta. E agraciada,

Sua claque mais fica devotada,
Só que não rende mais gratidão,
Após uma graça vem a oração,
Quer outra e mais complicada.

E como não deixa pra amanhã,
É tudo pra hoje, essa fé cristã
Faz de Santo Expedito o cara!

É expedito, é rápido, sem falta,
Merece o rapaz a conta em alta
E até este agnóstico o declara.

Francisco Libânio,
19/04/13, 10:27 AM

quinta-feira, 18 de abril de 2013

962 - Soneto fundido

Isso não é criação de novo partido. É formação de quadrilha.

Partido A, nanico e oposicionista,
Abre as conversas com Partido B,
Oposição também, ao que se crê,
Um quer ser maior e mais ativista,

O outro quer um que mais invista.
Ambos se dão contra o Partido C,
Mais bancada, vai que alguém vê,
A legenda. A jogada é oportunista!

Os partidos se fundem, dois anões
Um sobre o outro e com intenções
De abalar todo esse jogo político.

E assim dois nanicos, um pequeno!
Acham que destilam mortal veneno
Unindo dois fiapos noutro raquítico.

Francisco Libânio,
18/04/13, 7:00 PM