quinta-feira, 4 de outubro de 2012

490 - Soneto de proeza

Parar de escrever? É ruim, hein!


Venho escrevendo sonetos a mil
Às vezes dois por dia, outras três
Aonde vou? Até onde a escassez
Permitir. Puder, vou até ficar senil,

Gagá e a ideia não me for gentil
Ao me dar inspiração. Pela vez,
Mais de quatrocentos ela já fez
E alguns ela tem em seu barril

Inspiracional. E vou soneteando,
Pois que eles venham em bando
E os mil eu ultrapasse sem notar.

Se não conseguir, azar, paciência...
Não prejudicará muito a existência
Mas meu recado consegui passar.

Francisco Libânio,
04/10/12, 7:50 PM

489 - Soneto de destreza

Fala que esse canhoto era sinistro!


Por que ser destro é ter habilidade?
Um absurdo sem citar o preconceito!
Mesma tese diz que o mal, o defeito,
O errado é à esquerda! Ó a maldade!

Esquerdo é sinistro, contra a vontade
Divina. Já lá na Bíblia tem tal preceito
E se notasse cedo canhoto dava jeito
Para escrever direito na Antiguidade!

Quantas celebridades são canhotas?
Gente que nunca caiu nas marmotas
De ser hábil e bom é igual ser destro

Há canhotos por aí que de tão geniais
Apavoram em habilidades nas quais
O que usa a mão direita é canhestro.

Francisco Libânio,
04/10/12, 1:10 PM

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

488 - Soneto de certeza

Só sei que nada sei, dizia Sócrates.


De todas as certezas só uma
Ganha meu crédito completo:
A de que a certeza sem veto
Ou dúvida fácil, fácil se esfuma

Assim, digo certo, em suma,
O certo só é certo no repleto
Quando posto à prova direto
Ou caso questão se presuma

E, sendo relevante, for trazida
Ao debate e também dirimida
A fim que a certeza se fortaleça

Chame-me, pois, de dialético,
Mas o certo sacro e hermético
Esvazia a reflexão e a engessa.

Francisco Libânio,
03/10/12, 12:33 PM

487 - Soneto de tristeza

Uma imagem triste pra dar com o título.


Acordou beijando sua mulher,
Fizeram amor e tomou banho
Feliz com o tido em antanho;
Tomou café cheio de prazer

E foi trabalhar. Dia de doer,
Mas o encarou sem acanho
Com o sorriso sem tamanho,
Voltou e agradeceu por viver!

Aí o leitor pergunta, lesado,
O soneto do tal supracitado
Não era de tristeza, caralho?

E respondo, meu bom leitor,
Com a vida já cheia de dor,
Triste aqui só no cabeçalho.

Francisco Libânio,
03/10/12, 12:08 PM 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

486 - Soneto de ligeireza 2

Tá treinando pra barrar o Usain Bolt. Só pode.


Que rápido esse dois mil e doze!
Era janeiro e já estamos no dez,
Partiu num tiro e com tal rapidez
Quem nem pra foto teve pose

Enquanto isso, o poeta à dose,
Vive com tal calmaria por sua vez,
Não sabe se é ócio ou sensatez
O tempero que a sua vida coze,

Mas o ano, ele correu bem veloz
A tantos quilômetros, milhas, nós,
A medida adotada pouco importa,

Conta é que a velocidade permitida
Está abaixo. Quero ver a mordida
E quantos pontos isso comporta.

Francisco Libânio,
02/10/12, 8:48 PM

485 - Soneto de singeleza

O segredo de tudo!


Ser humilde e ser pobre é igual?
Pergunta um que, tão ignorante,
Confunde uma modéstia pujante
Com o não ter nem o essencial

Pobreza, seja humana, material
Ou característica, é degradante,
Mas como há o pobre pedante
Há o rico desprovido de ar real

Dos primeiros quero é distância
Como admiro a farta abundância
Dos segundos em sua humildade

Pois são faustos completamente
Enquanto quem muito se sente
Mata a fome comendo vaidade.

Francisco Libânio,
01/10/12, 1:51 PM

484 - Soneto de ligeireza

Ninguém segura o tempo!


Corre rápido esse dois mil e doze!
Era janeiro ontem e já é o mês dez
E correu com tamanha desfaçatez
E tal garbo que não perdeu a pose,

E como fosse verdadeiro virtuose
Do andar, nem fez notar a rapidez,
Notamos nós, surpresos, cada vez
Que olhamos a folhinha que coze

Suas folhas. Antes muito robusta,
Dia a dia emagrece que assusta!
Quero perder peso assim também!

Mas com saúde e com esse dom
Para chegar no natal e no réveillon,
Engordar e começar o ano bem.

Francisco Libânio,
01/10/12, 8:46 AM