sábado, 11 de agosto de 2012

0382 - Soneto acreano


Nascido no Acre é acreano
E dane-se a nova ortografia
Porque Acri é uma fantasia,
Logo não existe o tal acriano!

Assim sendo e do engano
Longe é de longe que espia
O Estado do qual a aleivosia
Riu e que a inteligência nano

Decretou boba: Não existe!
Não existe é você, oh triste
Criatura de cérebro manco!

Você, ilhado pela ignorância,
Visse a beleza, vencia distância
E se mudaria pra Rio Branco.

Francisco Libânio,
10/08/12, 11:04 PM

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

0381 - Soneto para o segundo terceto


E eis que chega o fim, afinal,
Do soneto. Três versos, já era!
Mas senta, acalma e espera,
O soneto exige um bom final,

Os versos exigem uma total
Consonância. Assim impera
Reler tudo o se que escrevera
Mais repraticar todo o ritual

Mas se o soneto chegou aqui,
E se onze versos saíram daí,
Vale a pena o último esforço

Escreve atencioso este terceto,
E conclui tranquilo o soneto
E some medo, culpa e remorso.

Francisco Libânio,
10/08/12, 8:31 PM

0380 - Soneto para o primeiro terceto


Aí o poeta, todo lindo e folgazão,
Pensa “É como escrever hai-kai!”
Tá bom, bonitão, assim você cai
Certinho. E mais duro que o chão

É ver que o terceto tem a função
De remeter ao final que logo vai
Vir e ao menos esperar ele se esvai
E não se falou o que era intenção,

É, nego, eis o nosso amigo terceto,
Te dá a mão e acha lindo o soneto,
Mas é um belo fura-olho o safado,

Então não o veja como um versinho,
O terceto é convite ao descaminho
E será um desastre se mal usado.

Francisco Libânio,
10/08/12, 10:54 AM

0379 - Soneto da segunda quadra


Do começo do soneto distante,
Mas da outra margem ainda
Longe, a outra quadra deslinda
O soneto. Deve levá-lo adiante,

E entregá-lo belo e triunfante
Aos tercetos, mas na berlinda,
O verso que as quadras finda
Sente que a tarefa é bastante

Árdua, mas o faz. Corretamente,
A segunda quadra põe a frente
Na escrita e depois descansa

Agora é com vocês aí, os seis
Finalizadores. E eles como reis
Entram firme para essa dança.

Francisco Libânio,
10/08/12, 10:25 AM

0378 - Soneto da primeira quadra


Abre-se o soneto. Tome um verso
E outro. E forma-se a quadrinha,
E até lá em quantas se definha
Uma boa ideia. Já fiquei disperso,

Já desisti, fiquei horas submerso
Até chegar o final da quarta linha,
E já teve vez que ela nunca vinha
E virava um jogo triste e perverso,

Mas, em geral, na primeira quadra
O soneto se apresenta e enquadra
O que vem por aí. Precisa seduzir,

Precisa prender usando o encanto,
O poeta bem sabe disso, entretanto
É essa a parte mais difícil de sair.

Francisco Libânio,
10/08/12, 10:11 AM

terça-feira, 7 de agosto de 2012

0373 - Soneto para a esgrima


Nenhum esporte lembra mais
Tempos idos com constância
Nem traduz deles a elegância
Ou remete a clássicos arsenais

Que a esgrima. Lá, dois iguais
Vestidos com toda circunstância
Medem-se, tomam-se à distância
E encaixam golpes tidos fatais,

E além disso, olha que elegante!
O juiz fala em francês e adiante!
Pura classe pra quem ouve e vê,

Se é florete, sabre ou espada,
Pouco importa, vale a pensada
Estratégia, a investida e touché.

Francisco Libânio,
07/08/12, 9:34 PM

0372 - Soneto para a luta greco-romana


Tome-se dois sujeitos taludos,
Aí meta neles uma malha justa
Que nos apolíneos peitos ajusta
E façam os tipos carrancudos,

Depois, como lordes classudos,
Deixe-os lutar uma luta augusta,
Dê à modalidade posição vetusta
E dê muito garbo aos graúdos,

Agora temos a luta greco-romana,
Que lembra e alude a algo sacana,
O que é coisa do seu preconceito,

Mais soa um combate não violento
Que o clássico embate sangrento
E se não conhece, ofereça respeito.

Francisco Libânio,
07/08/12, 9:14 PM