domingo, 27 de maio de 2012

Soneto da mediocridade


Viver embebido na mediocridade,
Deixar de pensar pela própria cabeça,
Ser no todo única e descartável peça
À espera da próxima e mesma novidade,

Entreter-se para que a mente esqueça
Que pode se questionar, buscar a verdade,
Que é possível pensar e além da grade
A separar onde se está de onde se começa

Um outro mundo livre e cheio de ideias
Sem essa capa que embeleza coisas feias
Para onde vão os que se fazem corajosos,

Mas parece mais fácil curvar-se ao medo
E restar confortável no triste degredo
Onde seguem medíocres, mas orgulhosos.

Francisco Libânio,
09/02/10, 12:41 AM

sexta-feira, 25 de maio de 2012

0137 - Soneto de solução


Para todo mal na vida existe cura,
Assim sempre dizem mães e avós;
Pais e amigos a desatarem os nós
Que aparecem nessa vida tão dura,

Podemos viver a noite mais escura,
E enfrentar a dificuldade mais atroz,
A mais maldosa moléstia que após
Tudo isso vem a verdadeira ventura,

Dizem eles mais: O mestre da razão
É o tempo e a maturidade o perdão
Traz consigo para que se cure a dor,

Mas há também o foda-se bem dito
Aos infelizes em todo conflito, atrito
Ou aflição o que é infinitamente melhor.

Francisco Libânio,
25/05/12, 11:49 PM

01 - 04-03-11 - O que era amor e eu quis por indiferença


O que era amor e eu quis por indiferença
Virou algo dúbio, um negócio indefinido
Restavam pontos do que eu queria elidido
Manchas de uma cor incômoda e intensa

Tentei lutar, procurei impor a desavença
Entre o que estava enredado e confundido,
Tantas coisas, tanto sentimento remoído
E envolvido por uma linha tão extensa

Quanto capaz de se enrolar em nós cegos
Que era difícil se desfazer dos apegos,
De tudo que não queria que fosse amor

E o que eu queria por indiferença não era,
Ficou esse monte de sentires, essa quimera
A me atormentar com questões onde eu for.

Francisco Libânio,
04/03/11, 10:12 PM

quinta-feira, 24 de maio de 2012

0132 - Soneto de meditação


Admiro de verdade quem faz ioga
E se joga de cabeça no exercício,
Quem faz diz ser verdadeiro vício
Como se fosse ela uma boa droga,

Não duvido e admiro quem se joga
Nessa onda que só traz benefício,
Mas para mim é um grande suplício
Esses movimentos sempre em voga

E eu, que nunca tive boa postura,
Endireitá-la é tarefa árdua e dura,
Fizesse ioga era direto ao hospital

Assim, meu método de relaxamento
É escrever malhando o pensamento
E deixar o corpo uma estátua de cal.

Francisco Libânio,
24/05/12, 12:53 PM

quarta-feira, 23 de maio de 2012

0130 - Soneto da cachoeira ladroeira 02


E aliviados, sopram-lhe obrigados secretos,
Mas sem a compostura diante dos eleitores
Perder. É preciso pose de bons inquisidores
Diante de acusada de negócios tão abjetos

Ou solta toda a verdade, dá nomes completos
E CPF de corrompidos e outros corruptores
Ou faremos, nós, arautos, sentires as dores
Da Lei, gritam-lhe com os dedos a ele eretos

A cachoeira abusa do direito de ficar calada,
Nada digo, nada direi, esta fonte está fechada
Enquanto os arautos insistem. Parece em vão,

Mas não é. A cachoeira cede aos arautos, pois.
Querem mesmo os nomes de todos os bois?
E eles, em uníssono, gritam sonoríssimos Não!

Francisco Libânio,
23/05/12, 2:23 PM

0129 - Soneto da cachoeira ladroeira


Apareceu como se fosse as Sete Quedas,
Garganta do Diabo que antes corrompera
Mil homens e em volta dela se aglomera
Outro milhar, arautos para dar às labaredas

Da retidão os que foram vendidos a moedas,
Cargos, favores e os caídos na cratera
Da cachoeira. A retidão reúne e delibera,
A cachoeira descriminará todas as azedas

Relações entre ela e seus corrompidos,
Mas até chamá-la, os arautos dão perdidos
E desculpas. Não mexa com os quietos

Vem a cachoeira. È silêncio o que era sonoro,
Os arautos, em público, ofendem-na em coro,
E aliviados, sopram-lhe obrigados secretos.

Francisco Libânio,
23/05/12, 1:07 PM

terça-feira, 22 de maio de 2012

0128 - Soneto para uma revelação sem noção


Não que o caso não exija atenção devida,
Moléstia sexual a qualquer tempo preocupa,
Assusta, enoja e indigna. O assunto ocupa
Com justa causa a cena. Prestação é pedida,

Mas se é a Xuxa quem chora de agredida
Sexualmente quando guria, vem uma lupa
Moral e lógica sobre ela e traz na garupa
Do depoimento a dúvida que não se elucida

Ela, molestada menina, foi a mesma atriz
Que num infeliz filme seduziu um petiz
Levando-o à cama tanto fez que o proibiu

Porque era a deusa, a rainha dos baixinhos?
É... A vida tem mesmo desses descaminhos
Ora rainha agora plebeia... Impressiona quem te viu!

Francisco Libânio,
27/05/12, 12:21 PM